Quando Steve Jobs, o gênio da Apple, anuncia um novo produto, o mundo espera uma revolução. Com o iPad, não foi bem assim, mas é cedo para decretar seu fracasso
Os rumores começaram há dois anos. Criadora das mais fabulosas inovações tecnológicas recentes, a Apple estaria desenvolvendo um novo produto digital revolucionário. Primeiro, as especulações sobre a novidade tomaram os sites e os blogs de aficionados de tecnologia. Depois, transbordaram para todos os meios de comunicação, do Financial Times à CNN, do Wall Street Journal ao USA Today. No último mês, atingiram um ritmo selvagem. Seria um tablet, aparelho portátil maior do que um celular mas menor do que um netbook e perfeito para leitura de livros e jornais? Terá tela futurista de Oled (sigla em inglês para diodo orgânico emissor de luz), garantia um especialista. Poderá ser recarregado por um emissor de eletricidade sem fio, especulava outro. Vai sair com um sistema operacional inteiramente reescrito para ele, assegurava um terceiro. Como se chamaria? TabletMac, iSlate, iPad? Custaria 600 ou 1 000 dólares? Ninguém sabia nada ao certo, mas a aposta era uma só: Steve Jobs, o gênio fundador da Apple, estava criando outra vez um produto fenomenal, que viraria o mercado de cabeça para baixo e seria a salvação dos jornais, financeiramente asfixiados pela avalanche da internet. No dia 18 de janeiro, a Apple mandou um enigmático convite à imprensa, dizendo apenas que anunciaria sua "última criação" no dia 27 de janeiro, em São Francisco.
Os coraçõezinhos dos tecnófilos quase se arrebentavam de expectativa quando, na manhã da quarta-feira passada, Jobs, magérrimo, rescaldo de graves problemas de saúde, mas sorridente e disposto, apareceu no palco do centro de convenções onde habitualmente anuncia seus novos produtos, o Yerba Buena Center. Foi recebido com uma ovação de pé por uma audiência que, diante de outros capitães de indústria, demonstra apenas ceticismo. O grande comunicador não perdeu tempo: "Vamos começar 2010 com um produto realmente mágico e revolucionário". Mais emoção e expectativa solidamente assentadas nos números espantosos de desempenho da Apple. A empresa do logo da maçã mordida já vendeu mais de 220 milhões de iPods, 50 milhões de iPhones e 1 bilhão de programas, os aplicativos, para esses aparelhos transacionados remotamente por sua loja virtual, iTunes - que até o mês passado tinha comercializado 6 bilhões de músicas. Dois dias antes do lançamento do iPad, a empresa divulgou o maior lucro trimestral de sua história: 3,4 bilhões de dólares.
Na imensa tela ao fundo do palco, apareceram a imagem e o nome da nova aposta da Apple, o iPad. Jobs exibiu o aparelho nas suas mãos, para dar noção do tamanho (semelhante ao de uma folha de ofício) e do peso (menos de 700 gramas). O pessoal aplaudiu, alguns assoviaram, outros gritaram - mas, aos poucos, enquanto Jobs pulava de um adjetivo a outro falando do iPad - "extraordinário", "fenomenal", "incrível" -, aconteceu algo até então inédito nessa segunda encarnação de Jobs na Apple (ele foi demitido, mas retomou o poder em 1996). A plateia aos poucos foi perdendo o entusiasmo, chegando a se perceber um clima de decepção - sensação realimentada pelos comentários instantâneos vindos dos blogs especializados. E a rapaziada desceu os tanques com a crueldade característica:
- Não tem tela de Oled? Esquece.
- Sentados ou deitados, usamos laptop ou desktop. Em pé, usamos o smartphone. Não existe uma posição anatômica ideal para usar o iPad.
- Não é nem um laptop simplificado nem um iPhone melhorado.
- Não roda Flash, não tem câmera, a bateria é embutida... Eu não compro.
- É o iBad.
Aos poucos, a apresentação de Jobs começou a lembrar a de um mágico que, para obnubilação geral, já fizera desaparecer um cavalo no palco e agora provocava apenas bocejos entediados ao fazer sumir um elefante.
O produto em si não é novidade. A Hewlett-Packard, a Intel e a Dell já andam exibindo protótipos de tablets na praça. Para quem só quer ler livros digitais, há outras opções no mercado, como o Kindle, da Amazon, já disponível no Brasil. Diante de tudo o que se esperava, e se esperava nada menos que uma revolução, o iPad pareceu quase um blefe.
Como se sabe, não existe uma segunda chance de causar uma bela impressão inicial. Nisso nem Jobs dá jeito. Pouco importa que rumos tome sua carreira comercial daqui para a frente, o iPad será sempre lembrado pela fria recepção da semana passada. Pela genialidade de Jobs e pela história recente de sucessos da Apple, porém, o iPad merece um segundo e mais detido olhar. "Ainda tenho dúvidas, sobretudo em relação ao teclado virtual. Não sei se funciona teclar numa tela de vidro. Mas acho que o iPad será um sucesso. Só não acredito que vá se igualar ao fenômeno que foi o iPhone", diz John Markoff, veterano repórter de tecnologia do New York Times. Pode ser. Mas também pode ser que a maioria dos decepcionados esteja errada, e Steve Jobs, mais uma vez, esteja certo. Porque, quanto mais se examina o iPad, mais encantador ele parece. Ponto por ponto, ele já nasce como o melhor tablet do mercado. Graças a um chip desenvolvido especialmente para suas necessidades pela própria Apple, sua operação é veloz e consome menos bateria. Funcionando a todo o vapor com exibição de filmes em HD, por exemplo, a autonomia do iPad poderia chegar a quase cinco horas. A bateria dura dez horas em uso menos intensivo, segundo a Apple - pois nenhum dos resenhistas tecnológicos recebeu ainda o iPad para testes. A tela sensível, pelo que se viu no Yerba Buena, reage com agilidade bem maior ao toque do que as do próprio iPhone. A vantagem competitiva maior, porém, quando o iPad começar a ser vendido, em março, será o fato de o aparelho rodar os 140 000 programas disponíveis no iTunes para o iPhone.
Não se sabe como Jobs reagiu ao clima de decepção, mas é certo que, pela primeira vez, ele sentiu aquele gostinho amargo que tantas vezes passou pela boca de Bill Gates, o fundador da Microsoft. O pior momento público de Gates ocorreu há doze anos, quando, ao demonstrar uma novidade do sistema operacional Windows98, a tela do computador congelou e uma mensagem de erro apareceu. Para piorar, o evento estava sendo transmitido ao vivo pela CNN. Jobs teve seu momento Gates com o iPad. Ao acessar determinado site, apareceu na tela do iPad um quadradinho azul com um sinal de interrogação no centro. A plateia de especialistas entendeu tudo e riu meio envergonhada. Esse símbolo surge com frequência irritante quando, ao navegar pela internet pelo iPhone, o usuário encontra um vídeo no formato Flash, marca da Adobe universalmente consagrada na Web, mas que a Apple teima em não reconhecer para tentar empurrar goela abaixo dos usuários de Mac e iPhone seu próprio programa de vídeos, o QuickTime. Quando Jobs começa a ficar parecido com Gates, alguém sai perdendo - e esse alguém é o consumidor.
O modelo mais barato do iPad chegará ao mercado americano em março, por 499 dólares, e o mais caro, em abril, ao preço de 829 dólares. No Brasil, os primeiros modelos começam a ser vendidos só no segundo semestre deste ano. A questão central segue em aberto: o iPad salvará jornais e revistas americanos que andam desesperados atrás de um abrigo no mundo digital? O New York Times, com a corda no pescoço, já se associou ao empreendimento e poderá ser lido no iPad assim que o produto chegar às lojas. O Times também anunciou que, no início de 2011, começará a cobrar por seu conteúdo na internet. Pode ser um indicativo de que o iPad virá a oferecer um novo meio de vender notícias, como o iTunes criou um novo modo de vender música.
Steve Jobs é um sobrevivente. Sua mãe biológica o entregou para adoção com a exigência de que os pais adotivos tivessem cursado a universidade. Um advogado e sua mulher se candidataram, mas, na última hora, desistiram. O bebê acabou na casa de um operador de máquinas e sua esposa. O casal não tinha nem o ensino médio. Quando soube, a mãe biológica quis cancelar a adoção, mas os novos pais prometeram que o menino ingressaria na universidade. Ele foi criado no Vale do Silício, que na época era apenas um imenso pomar de damascos e ameixas. Na escola primária, só queria ler livros e caçar borboletas. Era um aluno medíocre e, pior ainda, um projeto de delinquente. Não fosse pelo carinhoso suborno de uma professora - que o comprou com notas de 5 dólares e barras de chocolate -, Jobs diz que teria abandonado a escola. "Eu ia acabar na cadeia, com 100% de certeza." Em vez disso, chegou à universidade, mas desistiu em seis meses. Ficou pelo câmpus cursando só o que lhe interessava - caligrafia, por exemplo -, dormia no chão do quarto dos colegas, vendia garrafas de plástico de Coca-Cola para comprar comida e, aos domingos, filava o jantar num templo hare krishna. Está bilionário, mas trabalha como um iniciante e deve saber muito bem o que quer com o iPad.
Diz Tim Bajarin, presidente da Creative Strategies e analista de tecnologia: "Com o iPad, Jobs reinventou o conceito de portabilidade". Aqui e ali, depois de murmúrios de decepção, começam a surgir avaliações positivas. Pode ser que esteja acontecendo, mais uma vez, a mágica de Jobs.
O TRUNFO DO SKIFF
O leitor digital da Marvell com tela de metal flexível chega ao mercado ainda neste ano nos Estados Unidos: barato e quase indestrutível
OS CONCORRENTES
Modelos de tablets que vão disputar o mercado com o iPad da Apple
Fonte: veja.com.br
Este blog não tem a pretensão de ser original em seu conteúdo, mas apenas um espaço para guardar as coisas interessantes ou divertidas que recebo dos amigos.
sábado, 30 de janeiro de 2010
A PESQUISA
A ONU resolveu fazer uma grande pesquisa mundial.
A pergunta era:
"Por favor responda honestamente: qual é a sua opinião sobre a escassez de alimentos no resto do mundo".
O resultado foi desastroso. Um fracasso total.
Os europeus não entenderam o que é "escassez".
Os africanos não sabiam o que eram "alimentos".
Os argentinos não sabiam o significado de "por favor".
Os norte-americanos perguntaram o significado de "o resto do mundo".
Os cubanos pediram maiores explicações sobre "opinião".
E o congresso brasileiro ainda está debatendo o que é "honestamente".
A pergunta era:
"Por favor responda honestamente: qual é a sua opinião sobre a escassez de alimentos no resto do mundo".
O resultado foi desastroso. Um fracasso total.
Os europeus não entenderam o que é "escassez".
Os africanos não sabiam o que eram "alimentos".
Os argentinos não sabiam o significado de "por favor".
Os norte-americanos perguntaram o significado de "o resto do mundo".
Os cubanos pediram maiores explicações sobre "opinião".
E o congresso brasileiro ainda está debatendo o que é "honestamente".
A CIÊNCIA DE AVATAR
Avatar é ficção, claro. Mas mostra um surpreendente conhecimento e respeito pelo que de mais avançado as várias áreas da ciência que abrange andam produzindo. A seguir, o seu placar:
AS FORMAS DE VIDA BIOLUMINESCENTES

No filme: em Pandora, diversas das espécies de plantas e animais brilham no escuro
Na ciência: a habilidade de alguns organismos para criar sua própria luz, ou bioluminescência, não é incomum na Terra. Pode ser observada em vaga-lumes, algas e em várias criaturas das profundezas marinhas, aonde a luz solar nunca chega. Pandora é uma lua e, como a nossa Lua, está "amarrada" ao seu planeta-mãe. Tem portanto uma face permanentemente voltada para o planeta e outra permanentemente voltada para o espaço. Ou seja, um dia lunar equivale a uma órbita completa em torno do planeta-mãe. Para efeito de comparação, um dia da nossa Lua equivale a 27 dias terrestres e uns quebrados (todas as fases da Lua, de ponta a ponta), o que significa que sua noite é mais ou menos metade disso. Muito tempo no escuro - e, assim, todo um ecossistema bioluminescente poderia ter emergido em Pandora, postula James Cameron, como os que se formaram em zonas muito profundas dos oceanos terrestres
O veredicto: embora a situação seja hipotética e não possa ser verificada pela ciência de que se dispõe - uma vez que não conhecemos mundos com vida além do nosso -, ela faz sentido teórico. Ponto para Avatar
A LOCALIZAÇÃO DE PANDORA

No filme: Pandora é uma lua do planeta Polyphemus, no sistema de Alfa Centauro, a cerca de 4,4 anos-luz da Terra. Lá, sob a luz branca e ligeiramente amarelada da estrela Alfa Centauro A, semelhante ao nosso Sol, florestas luxuriantes suportam um grande número de formas de vida, inclusive a população tribal chamada Na’vi
Na ciência: Alfa Centauro, constituído de três estrelas, é o sistema solar mais próximo do nosso. Vários times de astrônomos, em particular das universidades Yale, nos Estados Unidos, de Genebra, na Suíça, e de Canterbury, na Inglaterra, estão numa corrida para identificar planetas e luas com condições mínimas de abrigar vida que porventura existam ali. Já se sabe que planetas gigantes como o fictício Polyphemus, que Avatar diz ser semelhante a Júpiter, não existem. Mas mundos de escala como a da Terra ainda são uma possibilidade. A favor de Alfa Centauro conta também o fato de que dois de seus sóis têm composição química similar à do nosso e propiciam a existência de uma zona branda - em que, se houvesse água na superfície de um mundo, ela poderia estar em estado líquido - de dimensões bem razoáveis
O veredicto: pela proximidade e pelas possibilidades que sugere, Alfa Centauro é uma excelente escolha para situar Pandora. Ponto para Avatar
AS MONTANHAS FLUTUANTES

No filme: um dos cenários mais deslumbrantes são as Montanhas Hallelujah, enormes blocos de rocha, cobertos de vegetação, que flutuam no céu de Pandora como nuvens sólidas. Isso acontece porque elas contêm grande quantidade do minério unobtainium, um supercondutor que preserva suas propriedades à temperatura ambiente, e estão localizadas em zonas de grande atividade magnética
Na ciência: os supercondutores identificados até hoje são capazes de conduzir eletricidade sem resistência apenas em temperaturas muito negativas. Mas, se um minério como o unobtainium existisse, o quadro seria hipoteticamente possível: materiais que contenham supercondutores tendem a flutuar na presença de um campo magnético. As montanhas seriam, assim, uma espécie de versão radical dos trens Maglev (contração de Magnetic Levitation) usados no Japão, que flutuam sobre os trilhos
O veredicto: é o tipo de premissa que só faz sentido por manter a coesão com o universo do filme - não com o universo conhecido. Avatar perde ponto
A VIAGEM ATÉ PANDORA

No filme: naves equipadas com motores híbridos de fusão de antimatéria levam os seres humanos até Pandora a uma velocidade horária que corresponde a sete décimos da velocidade da luz. Ainda assim, a viagem leva algo como seis anos
Na ciência: não se conhece reação energética de fins propulsivos mais poderosa do que aquela propiciada pelo choque, e aniquilação mútua, de partículas de matéria e antimatéria. Essa reação pode ser usada diretamente como combustível ou aplicada à fissão ou fusão de outros materiais - como em Avatar. Primeiro probleminha: os preços intergalácticos. O acelerador de partículas do Cern, na Suíça, produziu até hoje não mais do que alguns nanogramas de antimatéria. Calcula-se que, hoje, cada micrograma custaria 60 bilhões de dólares. Segundo empecilho: o armazenamento de um combustível tão volátil por distâncias e períodos tão extensos. Terceiro: é improvável que, usando antimatéria para fins de fusão, se conseguisse energia suficiente para alcançar sete décimos da velocidade da luz
O veredicto: superados esses probleminhas, dizem especialistas em propulsão, o processo escolhido por James Cameron seria ideal. E para isso existe a ficção, claro - para criar o ideal onde ele é impossível. Ponto para Avatar
OS AVATARES

No filme: o genoma de um ser humano é combinado ao dos Na’vi, a população nativa, para a criação de um avatar - um corpo igual ao dos Na’vi, capaz de sobreviver no ar tóxico de Pandora, mas controlado telepaticamente, por meio de uma interface ultrassofisticada, pelo homem ou mulher que é "dono" desse corpo. Para o protagonista Jake Sully, a experiência é inebriante: ele está paraplégico, mas, quando ocupa seu avatar, pode se movimentar com toda a liberdade que perdeu - e mais um tanto
Na ciência: o primeiro passo desse processo, a criação de uma interface cérebro-máquina, é a grande ambição de projetos como o liderado pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis na Universidade Duke, no estado americano da Carolina do Norte: a equipe de Nicolelis vem trabalhando no desenvolvimento de uma "neuroprótese" - um aparato que, "vestido" por uma pessoa paralisada e comandado por seu cérebro, permita que ela se movimente. Em 2008, eles obtiveram um avanço impressionante. Treinaram um macaco Rhesus para andar ereto numa esteira. Eletrodos captaram os sinais neuronais do animal enquanto ele caminhava e os enviaram via internet a um laboratório no Japão, onde um robô usou esses sinais para sincronizar seus movimentos com os do macaco. A partir daí, os pesquisadores vêm ensinando os macacos a controlar seus próprios avatares. Vários experimentos já tiveram sucesso no comando a distância de braços robóticos - que possibilitariam, por exemplo, a realização de cirurgias remotamente, com o cirurgião num ponto do planeta e o paciente em outro. Outros grupos de pesquisa ainda trabalham na interface cérebro-máquina para ajudar pacientes a sintetizar uma voz ou a mover cursores de computador com as ondas cerebrais
O veredicto: a experiência extracorporal do protagonista coincide com a mais revolucionária pesquisa nessa área. Já a transposição da sua consciência para um avatar é uma impossibilidade completa, diz Miguel Nicolelis. Mas quem achou que esse aspecto poderia ser viável já anda por conta própria no mundo da lua. Ponto, portanto, para Avatar
AS SUPERARMADURAS

No filme: os soldados estacionados em Pandora usam, para trabalho ou combate, enormes veículos blindados exoesqueletais que amplificam seus movimentos: o operador move o braço ou a perna alguns centímetros, e a armadura descreve exatamente o mesmo movimento em escala muito maior e com força enormemente ampliada por seu sistema hidráulico - uma versão ainda mais futurista da superempilhadeira com que Sigourney Weaver lutava com o monstro em Aliens - O Resgate, também de James Cameron
Na ciência: o Exército americano adoraria dispor de armaduras como essas, com que os soldados pudessem carregar equipamento pesado e armas de grande porte em situações de combate e resgate e também para a fisioterapia de combatentes feridos. Tanto que, desde 2000, sua Agência de Pesquisa de Projetos de Defesa Avançados (Darpa) já destinou várias dotações orçamentárias para esse tipo de programa. Até o momento, desenvolveu uma máquina de cerca de 70 quilos, chamada XOS, ajustada aos braços, pernas e torso do operador, possibilitando que ele levante pesos repetidas vezes sem nem transpirar, mas seja capaz também de movimentos finos como subir escadas ou chutar uma bola. A maior desvantagem da XOS é que ela ainda necessita estar ligada por cabo a uma fonte de energia, o que reduz drasticamente seus usos
O veredicto: um especialista do programa militar americano ouvido pela revista Popular Mechanics diz que a armadura imaginada por Cameron "tem muito de Hollywood" - mas não deixa de ser um excelente exemplo de "uma plataforma versátil, capaz de uma ampla gama de ataques". Traduzindo o militarês: se ela existisse, o Pentágono já estaria emitindo as faturas de compra. Ponto para Avatar
OS ANIMAIS COM SEIS PATAS

No filme: as criaturas que habitam Pandora são muito peculiares. Em geral são grandes, e muitos dos animais têm seis patas
Na ciência: a gravidade reduzida de Pandora explicaria por que esse mundo suporta formas de vida agigantadas. O hexapodismo - ou seja, a existência de seis membros -, tão comum entre suas espécies, poderia parecer, assim, contraditório: em tese, o maior número de membros seria para suportar mais peso. Mas o hexa e multipodismo é, na Terra, mais comum justamente entre os seres menores, os insetos
O veredicto: não há nenhuma razão determinante, do ponto de vista biológico, para que as criaturas de Pandora sejam como são. Mas também não há erro gritante em sua concepção. Avatar não ganha pontos aqui, mas também não perde nenhum.
Fonte: veja.com.br
AS FORMAS DE VIDA BIOLUMINESCENTES

No filme: em Pandora, diversas das espécies de plantas e animais brilham no escuro
Na ciência: a habilidade de alguns organismos para criar sua própria luz, ou bioluminescência, não é incomum na Terra. Pode ser observada em vaga-lumes, algas e em várias criaturas das profundezas marinhas, aonde a luz solar nunca chega. Pandora é uma lua e, como a nossa Lua, está "amarrada" ao seu planeta-mãe. Tem portanto uma face permanentemente voltada para o planeta e outra permanentemente voltada para o espaço. Ou seja, um dia lunar equivale a uma órbita completa em torno do planeta-mãe. Para efeito de comparação, um dia da nossa Lua equivale a 27 dias terrestres e uns quebrados (todas as fases da Lua, de ponta a ponta), o que significa que sua noite é mais ou menos metade disso. Muito tempo no escuro - e, assim, todo um ecossistema bioluminescente poderia ter emergido em Pandora, postula James Cameron, como os que se formaram em zonas muito profundas dos oceanos terrestres
O veredicto: embora a situação seja hipotética e não possa ser verificada pela ciência de que se dispõe - uma vez que não conhecemos mundos com vida além do nosso -, ela faz sentido teórico. Ponto para Avatar
A LOCALIZAÇÃO DE PANDORA

No filme: Pandora é uma lua do planeta Polyphemus, no sistema de Alfa Centauro, a cerca de 4,4 anos-luz da Terra. Lá, sob a luz branca e ligeiramente amarelada da estrela Alfa Centauro A, semelhante ao nosso Sol, florestas luxuriantes suportam um grande número de formas de vida, inclusive a população tribal chamada Na’vi
Na ciência: Alfa Centauro, constituído de três estrelas, é o sistema solar mais próximo do nosso. Vários times de astrônomos, em particular das universidades Yale, nos Estados Unidos, de Genebra, na Suíça, e de Canterbury, na Inglaterra, estão numa corrida para identificar planetas e luas com condições mínimas de abrigar vida que porventura existam ali. Já se sabe que planetas gigantes como o fictício Polyphemus, que Avatar diz ser semelhante a Júpiter, não existem. Mas mundos de escala como a da Terra ainda são uma possibilidade. A favor de Alfa Centauro conta também o fato de que dois de seus sóis têm composição química similar à do nosso e propiciam a existência de uma zona branda - em que, se houvesse água na superfície de um mundo, ela poderia estar em estado líquido - de dimensões bem razoáveis
O veredicto: pela proximidade e pelas possibilidades que sugere, Alfa Centauro é uma excelente escolha para situar Pandora. Ponto para Avatar
AS MONTANHAS FLUTUANTES

No filme: um dos cenários mais deslumbrantes são as Montanhas Hallelujah, enormes blocos de rocha, cobertos de vegetação, que flutuam no céu de Pandora como nuvens sólidas. Isso acontece porque elas contêm grande quantidade do minério unobtainium, um supercondutor que preserva suas propriedades à temperatura ambiente, e estão localizadas em zonas de grande atividade magnética
Na ciência: os supercondutores identificados até hoje são capazes de conduzir eletricidade sem resistência apenas em temperaturas muito negativas. Mas, se um minério como o unobtainium existisse, o quadro seria hipoteticamente possível: materiais que contenham supercondutores tendem a flutuar na presença de um campo magnético. As montanhas seriam, assim, uma espécie de versão radical dos trens Maglev (contração de Magnetic Levitation) usados no Japão, que flutuam sobre os trilhos
O veredicto: é o tipo de premissa que só faz sentido por manter a coesão com o universo do filme - não com o universo conhecido. Avatar perde ponto
A VIAGEM ATÉ PANDORA

No filme: naves equipadas com motores híbridos de fusão de antimatéria levam os seres humanos até Pandora a uma velocidade horária que corresponde a sete décimos da velocidade da luz. Ainda assim, a viagem leva algo como seis anos
Na ciência: não se conhece reação energética de fins propulsivos mais poderosa do que aquela propiciada pelo choque, e aniquilação mútua, de partículas de matéria e antimatéria. Essa reação pode ser usada diretamente como combustível ou aplicada à fissão ou fusão de outros materiais - como em Avatar. Primeiro probleminha: os preços intergalácticos. O acelerador de partículas do Cern, na Suíça, produziu até hoje não mais do que alguns nanogramas de antimatéria. Calcula-se que, hoje, cada micrograma custaria 60 bilhões de dólares. Segundo empecilho: o armazenamento de um combustível tão volátil por distâncias e períodos tão extensos. Terceiro: é improvável que, usando antimatéria para fins de fusão, se conseguisse energia suficiente para alcançar sete décimos da velocidade da luz
O veredicto: superados esses probleminhas, dizem especialistas em propulsão, o processo escolhido por James Cameron seria ideal. E para isso existe a ficção, claro - para criar o ideal onde ele é impossível. Ponto para Avatar
OS AVATARES

No filme: o genoma de um ser humano é combinado ao dos Na’vi, a população nativa, para a criação de um avatar - um corpo igual ao dos Na’vi, capaz de sobreviver no ar tóxico de Pandora, mas controlado telepaticamente, por meio de uma interface ultrassofisticada, pelo homem ou mulher que é "dono" desse corpo. Para o protagonista Jake Sully, a experiência é inebriante: ele está paraplégico, mas, quando ocupa seu avatar, pode se movimentar com toda a liberdade que perdeu - e mais um tanto
Na ciência: o primeiro passo desse processo, a criação de uma interface cérebro-máquina, é a grande ambição de projetos como o liderado pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis na Universidade Duke, no estado americano da Carolina do Norte: a equipe de Nicolelis vem trabalhando no desenvolvimento de uma "neuroprótese" - um aparato que, "vestido" por uma pessoa paralisada e comandado por seu cérebro, permita que ela se movimente. Em 2008, eles obtiveram um avanço impressionante. Treinaram um macaco Rhesus para andar ereto numa esteira. Eletrodos captaram os sinais neuronais do animal enquanto ele caminhava e os enviaram via internet a um laboratório no Japão, onde um robô usou esses sinais para sincronizar seus movimentos com os do macaco. A partir daí, os pesquisadores vêm ensinando os macacos a controlar seus próprios avatares. Vários experimentos já tiveram sucesso no comando a distância de braços robóticos - que possibilitariam, por exemplo, a realização de cirurgias remotamente, com o cirurgião num ponto do planeta e o paciente em outro. Outros grupos de pesquisa ainda trabalham na interface cérebro-máquina para ajudar pacientes a sintetizar uma voz ou a mover cursores de computador com as ondas cerebrais
O veredicto: a experiência extracorporal do protagonista coincide com a mais revolucionária pesquisa nessa área. Já a transposição da sua consciência para um avatar é uma impossibilidade completa, diz Miguel Nicolelis. Mas quem achou que esse aspecto poderia ser viável já anda por conta própria no mundo da lua. Ponto, portanto, para Avatar
AS SUPERARMADURAS

No filme: os soldados estacionados em Pandora usam, para trabalho ou combate, enormes veículos blindados exoesqueletais que amplificam seus movimentos: o operador move o braço ou a perna alguns centímetros, e a armadura descreve exatamente o mesmo movimento em escala muito maior e com força enormemente ampliada por seu sistema hidráulico - uma versão ainda mais futurista da superempilhadeira com que Sigourney Weaver lutava com o monstro em Aliens - O Resgate, também de James Cameron
Na ciência: o Exército americano adoraria dispor de armaduras como essas, com que os soldados pudessem carregar equipamento pesado e armas de grande porte em situações de combate e resgate e também para a fisioterapia de combatentes feridos. Tanto que, desde 2000, sua Agência de Pesquisa de Projetos de Defesa Avançados (Darpa) já destinou várias dotações orçamentárias para esse tipo de programa. Até o momento, desenvolveu uma máquina de cerca de 70 quilos, chamada XOS, ajustada aos braços, pernas e torso do operador, possibilitando que ele levante pesos repetidas vezes sem nem transpirar, mas seja capaz também de movimentos finos como subir escadas ou chutar uma bola. A maior desvantagem da XOS é que ela ainda necessita estar ligada por cabo a uma fonte de energia, o que reduz drasticamente seus usos
O veredicto: um especialista do programa militar americano ouvido pela revista Popular Mechanics diz que a armadura imaginada por Cameron "tem muito de Hollywood" - mas não deixa de ser um excelente exemplo de "uma plataforma versátil, capaz de uma ampla gama de ataques". Traduzindo o militarês: se ela existisse, o Pentágono já estaria emitindo as faturas de compra. Ponto para Avatar
OS ANIMAIS COM SEIS PATAS

No filme: as criaturas que habitam Pandora são muito peculiares. Em geral são grandes, e muitos dos animais têm seis patas
Na ciência: a gravidade reduzida de Pandora explicaria por que esse mundo suporta formas de vida agigantadas. O hexapodismo - ou seja, a existência de seis membros -, tão comum entre suas espécies, poderia parecer, assim, contraditório: em tese, o maior número de membros seria para suportar mais peso. Mas o hexa e multipodismo é, na Terra, mais comum justamente entre os seres menores, os insetos
O veredicto: não há nenhuma razão determinante, do ponto de vista biológico, para que as criaturas de Pandora sejam como são. Mas também não há erro gritante em sua concepção. Avatar não ganha pontos aqui, mas também não perde nenhum.
Fonte: veja.com.br
AVATAR ATINGE U$ 2 BILHÕES
Na segunda-feira, quando as salas de cinema estiverem terminando de computar a frequência do fim de semana, a única dúvida do estúdio Fox será: com que margem Avatar, de James Cameron, ultrapassou a marca dos 2 bilhões de dólares na bilheteria mundial? Que será o primeiro filme da história a fazê-lo, é certo. Na quinta-feira, havia fechado as contas com o total de 1,9 bilhão, em preparação para seu sétimo fim de semana consecutivo como o filme mais popular em cartaz. Um único outro título conseguira até hoje reunir recordes tão impressionantes: Titanic, também de Cameron, que foi a primeira produção a cruzar a marca do 1 bilhão de renda e, durante doze anos, deteve o posto de campeão absoluto, com a soma final de 1,843 bilhão. Essa, Avatar ultrapassou na segunda-feira 25, com a mesma facilidade com que o corredor jamaicano Usain Bolt rompe as linhas de chegada e deixa para trás, na poeira, adversários que até seu advento tinham todo o direito de se considerar quase que super-homens. Como Bolt, Avatar é um velocista de uma categoria até aqui inédita. Levou dezessete dias para alcançar um recorde que, a Titanic, tomara três meses. Em mais 22 dias, acumulou a diferença que o separava do campeão. Com discrição supersticiosa, os executivos da Fox não especulam sobre o número final com que Avatar vai subir ao pódio. Alguns observadores arriscam a cifra de 2,5 bilhões de dólares. Mas, em vista do ritmo com que ele atrai pagantes aos cinemas - até aqui, amealha a média diária de 45 milhões -, essa pode ser uma estimativa conservadora.
O que faz um filme ir tão completamente ao encontro das expectativas do público é um segredo cuja chave Hollywood pagaria qualquer preço para possuir. Às vezes ela cai em suas mãos e resulta em ícones culturais (e contábeis), como ...E o Vento Levou, E.T. - O Extraterrestre e a série Star Wars. Mas quase sempre ela se perde de novo: nada é mais difícil do que replicar um sucesso aproveitando-se de sua fórmula. Até porque "fórmula" é uma palavra que se deve usar com reservas. Chumbo não pode ser transformado em ouro, como queriam os alquimistas e desejam os imitadores contumazes que podem ser encontrados em qualquer estúdio de cinema. O que os grandes fenômenos de Hollywood, entre eles os filmes de James Cameron, mostram é que só ouro vira mais ouro. Não apenas no sentido do dinheiro farto para produzir um enredo com todo requinte técnico disponível. As substâncias preciosas que deflagram essa reação química entre público e filme são de outra ordem: criatividade, talento no narrar de uma história e a habilidade para captar os impulsos que afetam uma sociedade em certo instante e traduzi-los na forma de imagens, personagens e tramas. Esse é um dom raro. Ele está para a criação artística assim como está para a química o unobtainium (palavra que é brincadeira corrente entre aficionados da ciência e significa "o que não pode ser obtido"), o minério singular que os seres humanos garimpam na lua Pandora, cenário de Avatar.
Cameron iniciou sua carreira com uma produção barata, que imediatamente se integrou à cultura pop graças a esse dom - O Exterminador do Futuro, uma cristalização das angústias então ainda vagas provocadas pela escalada tecnológica e bélica que marcou a década de 80. Desdobrou o tema com estrondo comparável em Aliens - O Resgate e em O Exterminador do Futuro 2. Tomou um tombo com O Segredo do Abismo, um filme instigante, mas que poucos apreciaram. E depurou esse seu talento até um ponto que parecia ser insuperável com Titanic, uma explosão de grandiosidade e romantismo numa Hollywood que andava, em fins dos anos 90, apequenada e exaurida. Em número de ingressos vendidos, Avatar ainda está longe de Titanic - não só o preço real do bilhete aumentou desde então, como os ingressos para as sessões 3D são mais caros, e é deles que vem a maior parte da arrecadação de Avatar. Mas o unobtainium da sintonia com a plateia está lá, cintilando nos recordes que ele vem quebrando.
Avatar tem um componente primordial de interesse para o público contemporâneo: a inovação tecnológica, expressa aqui em um salto substancial na aplicação do formato 3D, que o diretor usa não como truque, mas como recurso de imersão no mundo de Pandora. Essa experiência sensorial sem paralelo responde por muito do apelo do filme. Mas, se ele resiste ao esgotamento do aspecto novidadeiro e se mantém firme em sua ascensão, é porque o que Avatar tem a dizer ressoa junto ao espectador. O filme tem uma mensagem ecológica que, claro, está em voga. Prega-a com simplismo irritante: o povo nativo de Pandora, os Na’vi, pertence à natureza e é parte dela (inclusive, liga-se a ela por meio das estranhas fibras de suas tranças, o que rende um punhado de cenas meio embaraçosas). Isso, diz o filme, é certo. Errado é violar essa relação telúrica com propósitos comerciais, como faz a corporação industrial-militar que extrai minério em Pandora.
É inegável, contudo, que Cameron faz a plateia - inclusive a parte dela que se irrita com seu ecossentimentalismo - amar Pandora e desejar estar lá, como seu protagonista, o ex-marine paraplégico Jake Sully (Sam Worthington), que, quando ocupa seu avatar, pode correr livre por cenários de beleza estupefaciente. O diretor, um narrador habilíssimo, leva quem vê essas paisagens a sentir a embriaguez de Jake. Ele é, em muitos sentidos, o avatar do espectador em outro mundo.
Cameron é um aficionado da ciência que detesta ser pego em erros. Em Avatar, cercou-se de especialistas em áreas tão diversas quanto a linguística, a botânica e a astrofísica para que o mundo de Pandora, ainda que fantasioso, fosse hipoteticamente possível. Muitos dos aspectos do roteiro que podem parecer invenção pura têm na verdade sólidos fundamentos científicos (veja as explicações nos quadros que acompanham esta reportagem). Não por acaso, o diretor é simpático aos personagens que têm ligação com a ciência, como a botânica interpretada por Sigourney Weaver. Mas Cameron é um entusiasta também da tecnologia, e não só da que serve ao cinema. Já foi consultor da Nasa em projetos de exploração de Marte. Pode-se deduzir, portanto, que não é contrário à presença humana em mundos intocados. Alguns deles, os das profundezas dos oceanos, já visitou várias vezes. Em Avatar, entretanto, tudo o que seja associado à tecnologia é carregado de negatividade (um traço que está no cerne também de O Exterminador do Futuro e Titanic). Existe aí um paradoxo. Cameron, que vai a extremos em tudo o que faz, é um apaixonado pela natureza e um obcecado pelo aprimoramento tecnológico. É, assim, também ele um avatar de qualquer um de nós, desejosos de todo avanço e ao mesmo tempo nostálgicos de uma natureza que, nessa corrida, tratamos de massacrar. O cineasta, enfim, é um homem cindido por uma contradição - mas ela é a contradição essencial do seu tempo. Por isso tantas pessoas sentem que ele lhes fala de perto, e pagam para ver o som, a fúria e a beleza que ele sabe criar.
Fonte: veja.com.br
O que faz um filme ir tão completamente ao encontro das expectativas do público é um segredo cuja chave Hollywood pagaria qualquer preço para possuir. Às vezes ela cai em suas mãos e resulta em ícones culturais (e contábeis), como ...E o Vento Levou, E.T. - O Extraterrestre e a série Star Wars. Mas quase sempre ela se perde de novo: nada é mais difícil do que replicar um sucesso aproveitando-se de sua fórmula. Até porque "fórmula" é uma palavra que se deve usar com reservas. Chumbo não pode ser transformado em ouro, como queriam os alquimistas e desejam os imitadores contumazes que podem ser encontrados em qualquer estúdio de cinema. O que os grandes fenômenos de Hollywood, entre eles os filmes de James Cameron, mostram é que só ouro vira mais ouro. Não apenas no sentido do dinheiro farto para produzir um enredo com todo requinte técnico disponível. As substâncias preciosas que deflagram essa reação química entre público e filme são de outra ordem: criatividade, talento no narrar de uma história e a habilidade para captar os impulsos que afetam uma sociedade em certo instante e traduzi-los na forma de imagens, personagens e tramas. Esse é um dom raro. Ele está para a criação artística assim como está para a química o unobtainium (palavra que é brincadeira corrente entre aficionados da ciência e significa "o que não pode ser obtido"), o minério singular que os seres humanos garimpam na lua Pandora, cenário de Avatar.
Cameron iniciou sua carreira com uma produção barata, que imediatamente se integrou à cultura pop graças a esse dom - O Exterminador do Futuro, uma cristalização das angústias então ainda vagas provocadas pela escalada tecnológica e bélica que marcou a década de 80. Desdobrou o tema com estrondo comparável em Aliens - O Resgate e em O Exterminador do Futuro 2. Tomou um tombo com O Segredo do Abismo, um filme instigante, mas que poucos apreciaram. E depurou esse seu talento até um ponto que parecia ser insuperável com Titanic, uma explosão de grandiosidade e romantismo numa Hollywood que andava, em fins dos anos 90, apequenada e exaurida. Em número de ingressos vendidos, Avatar ainda está longe de Titanic - não só o preço real do bilhete aumentou desde então, como os ingressos para as sessões 3D são mais caros, e é deles que vem a maior parte da arrecadação de Avatar. Mas o unobtainium da sintonia com a plateia está lá, cintilando nos recordes que ele vem quebrando.
Avatar tem um componente primordial de interesse para o público contemporâneo: a inovação tecnológica, expressa aqui em um salto substancial na aplicação do formato 3D, que o diretor usa não como truque, mas como recurso de imersão no mundo de Pandora. Essa experiência sensorial sem paralelo responde por muito do apelo do filme. Mas, se ele resiste ao esgotamento do aspecto novidadeiro e se mantém firme em sua ascensão, é porque o que Avatar tem a dizer ressoa junto ao espectador. O filme tem uma mensagem ecológica que, claro, está em voga. Prega-a com simplismo irritante: o povo nativo de Pandora, os Na’vi, pertence à natureza e é parte dela (inclusive, liga-se a ela por meio das estranhas fibras de suas tranças, o que rende um punhado de cenas meio embaraçosas). Isso, diz o filme, é certo. Errado é violar essa relação telúrica com propósitos comerciais, como faz a corporação industrial-militar que extrai minério em Pandora.
É inegável, contudo, que Cameron faz a plateia - inclusive a parte dela que se irrita com seu ecossentimentalismo - amar Pandora e desejar estar lá, como seu protagonista, o ex-marine paraplégico Jake Sully (Sam Worthington), que, quando ocupa seu avatar, pode correr livre por cenários de beleza estupefaciente. O diretor, um narrador habilíssimo, leva quem vê essas paisagens a sentir a embriaguez de Jake. Ele é, em muitos sentidos, o avatar do espectador em outro mundo.
Cameron é um aficionado da ciência que detesta ser pego em erros. Em Avatar, cercou-se de especialistas em áreas tão diversas quanto a linguística, a botânica e a astrofísica para que o mundo de Pandora, ainda que fantasioso, fosse hipoteticamente possível. Muitos dos aspectos do roteiro que podem parecer invenção pura têm na verdade sólidos fundamentos científicos (veja as explicações nos quadros que acompanham esta reportagem). Não por acaso, o diretor é simpático aos personagens que têm ligação com a ciência, como a botânica interpretada por Sigourney Weaver. Mas Cameron é um entusiasta também da tecnologia, e não só da que serve ao cinema. Já foi consultor da Nasa em projetos de exploração de Marte. Pode-se deduzir, portanto, que não é contrário à presença humana em mundos intocados. Alguns deles, os das profundezas dos oceanos, já visitou várias vezes. Em Avatar, entretanto, tudo o que seja associado à tecnologia é carregado de negatividade (um traço que está no cerne também de O Exterminador do Futuro e Titanic). Existe aí um paradoxo. Cameron, que vai a extremos em tudo o que faz, é um apaixonado pela natureza e um obcecado pelo aprimoramento tecnológico. É, assim, também ele um avatar de qualquer um de nós, desejosos de todo avanço e ao mesmo tempo nostálgicos de uma natureza que, nessa corrida, tratamos de massacrar. O cineasta, enfim, é um homem cindido por uma contradição - mas ela é a contradição essencial do seu tempo. Por isso tantas pessoas sentem que ele lhes fala de perto, e pagam para ver o som, a fúria e a beleza que ele sabe criar.
Fonte: veja.com.br
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
ENTREVISTA COM MORGAN FREEMAN
Morgan Freeman, de 72 anos, é um dos mais admirados atores americanos das últimas décadas – e um dos primeiros negros a usufruir de prestígio e sucesso entre todas as parcelas do público, sem distinção de cor. Assim, embora rejeite peremptoriamente o papel de liderança política ou racial, Freeman pouco a pouco se envolveu de maneira discreta, mas decidida, com as transformações no continente africano. Já perdeu a conta de quantas vezes o visitou. Pela África do Sul, em particular, nutre um interesse especial desde o início da década de 90, quando se encerrou o regime hediondo do apartheid e o líder negro Nelson Mandela foi libertado depois de 27 anos de encarceramento – para então, em 1994, eleger-se presidente do país no seu primeiro pleito democrático e promover uma política de conciliação entre brancos e negros que o tornaria um ícone não apenas africano, mas mundial. O ator conviveu com Mandela em diversas ocasiões, e teve o interesse correspondido: certa feita, quando indagaram ao então presidente quem deveria interpretá-lo no cinema, ele respondeu, sem hesitação: "Morgan Freeman". Portanto, quando decidiu rodar Invictus, que tem estreia prevista para o dia 29 e narra como Mandela fez da seleção sul-africana de rúgbi, até então um emblema do apartheid, um símbolo de união nacional, o diretor Clint Eastwood também não teve dúvidas: escalou para o papel de Mandela seu velho amigo Morgan Freeman, que conversou com VEJA, em Los Angeles, sobre a experiência.
Como o senhor compara a África do Sul que conheceu nos anos 90 ao país de hoje, em que filmou Invictus?
Visitei a África do Sul diversas vezes e estava lá no aniversário de 80 anos de Nelson Mandela, em 1998. Havia uma excitação, uma energia tão grande no ar que achei que o país iria explodir em produtividade e em mudança. Mas essa explosão não aconteceu. Thabo Mbeki (que sucedeu a Mandela na Presidência) não soube aproveitar essa vantagem. Era um homem bom e preparado, mas não era estadista o bastante. Tendo em mente não apenas os sul-africanos, mas toda a África, já que o continente está atrelado de várias maneiras ao que se passa no país, torço para que Jacob Zuma, o atual presidente, saiba tirar partido desse dinamismo que ainda existe lá.
E quanto às relações entre negros e africâneres, como o senhor as percebeu hoje?
Numa simples visita à África do Sul, a impressão é que as relações raciais são tomadas muito às claras. Os próprios sul-africanos me relatam uma outra história, de que ainda existem diferenças e rancores intransponíveis. Creio que o crucial é que o fator econômico tinge fortemente as relações entre brancos e negros. Desde o fim do apartheid, as desigualdades foram postas completamente a nu – e o déficit de educação, emprego e moradia entre os negros era, e é ainda, tão acentuado que mesmo que tudo houvesse caminhado de maneira ideal seria impossível ter tornado as oportunidades compatíveis em um espaço tão breve de tempo. Quinze anos não bastam. Serão necessárias pelo menos três gerações para que mudanças apreciáveis nas relações raciais se enraízem.
A ideia de perdão foi central ao governo de Nelson Mandela – e, como mostra Invictus, não foi uma ideia facilmente aceita na África do Sul pós-apartheid. O senhor também crê que perdoar é difícil?
Bem mais difícil que perdoar, na minha opinião, é esquecer. Você pode perdoar uma falta cometida contra você – mas é improvável que consiga extirpá-la de sua lembrança. São, acho eu, coisas muito diferentes. Não que seja um exercício fácil. O perdão, como proposto por exemplo na África do Sul por Mandela, significa riscar uma linha separando o presente e o futuro das faltas passadas e determinar que não se voltará para trás dessa linha. Que aqueles erros não serão repetidos.
Mandela lhe disse por que o considerava o ator ideal para interpretá-lo?
Porque sou bom, ora. Algo mais específico? Brincadeiras à parte, não creio que seja melhor do que tantos outros atores negros que poderiam ter feito o papel. Mas talvez me pareça mais com Mandela, fisicamente, do que a maioria.
Como o senhor avalia sua atuação?
É um desafio interpretar alguém que todos conhecem. A dúvida é: serei eu capaz? Ou terminarei constrangendo a mim e a todos os demais envolvidos? Ainda não assisti a Invictus, porque sei que quando o fizer vou julgar que falhei na tarefa. Prefiro então ouvir dos outros que me saí bem.
Em que aspectos o senhor crê ter falhado?
Em que aspectos o senhor crê ter falhado?
Quando me vejo em um filme, isto é tudo que eu consigo ver: eu mesmo. Não o personagem.
O que primeiro o interessou nessa carreira, então?
Subi em um palco aos 8 anos, e instantaneamente a decisão estava tomada. Minha professora do 3o ano perguntou à minha mãe se poderia me recrutar para uma pecinha da escola. Minha mãe disse "pode levá-lo!" – finalmente alguma outra plateia que não ela para eu chatear com as minhas demonstrações de talento.
O que é mais difícil em interpretar personagens muito conhecidos: reproduzir seus maneirismos ou seus aspectos psicológicos?
Tudo é difícil. Cada pessoa tem suas nuances, seus pequenos gestos – mas eles não são simples atitudes físicas. São manifestações de quem essa pessoa é em seu interior. Mandela, por exemplo, não ouve as pessoas da maneira que nós ouvimos os outros. Você está aqui me ouvindo e olhando para mim, acompanhando os movimentos dos meus lábios, reagindo ao que eu digo. Mas, quando você conversa com Mandela, ele parece, como eu diria, ir para outro lugar. Se você tenta prender o olhar dele, ele não cede – vai embora e se recolhe em algum ponto de si mesmo. O escritor John Carlin (autor do livro em que Invictus se baseia, Conquistando o Inimigo – Mandela e o Jogo que Uniu a África do Sul, publicado aqui pela Sextante) diz que ele é uma esfinge: um homem muito quieto, muito composto, difícil de ler.
O senhor teve muitos encontros com Mandela, não?
Sim, tive muito acesso a ele, desde mil novecentos e noventa e qualquer coisa. Mas não é que eu tenha usado esse acesso como laboratório, no sentido em que a palavra seria empregada por um professor de arte dramática. Não sou o tipo de ator que precisa se conduzir até um determinado estado psicológico que o lance dentro do personagem. Cheguei à África do Sul cerca de uma semana antes do início das filmagens de Invictus, assisti a alguns videoteipes antigos de Mandela e, quando Clint Eastwood mandou rodar, abri a boca e pronto, aí saiu a minha versão particular de Nelson Mandela. Várias pessoas elogiaram essa minha versão, e decidi ficar com ela do jeito que estava.
De onde o senhor pensa que Nelson Mandela tirou a disciplina para a política do admitir e perdoar, depois de passar 27 anos encarcerado?
Acho que ele a tirou exatamente dos 27 anos que passou encarcerado. Foram quase três décadas pensando sobre uma pergunta: por quê? Ele é o tipo raro de homem que nessas circunstâncias, confinado a uma cela pequena e fria, se dedica a encontrar uma razão que confira algum sentido ao sofrimento – ao menos uma razão que pudesse satisfazer a ele.Invictus mostra como a Copa do Mundo de rúgbi, em 1995, foi utilizada por Mandela como um improvável foco de união entre brancos e negros. Por que o esporte pode ser um galvanizador tão poderoso, na sua opinião? Porque uma arena de esportes é um campo de batalha. Mas, quando a guerra termina, todos ainda estão de pé – talvez um pouco machucados, com algum sangue derramado, mas vivos e capazes de saudar a batalha como justa.
Como Clint Eastwood, como diretor, conduziu o seu trabalho em um papel tão delicado?
Dizendo "ação". "Vá lá e faça." Nem adiantaria tentar outra coisa: não sou uma pessoa muito intelectual. Sou, ao contrário, intuitivo. Pego as coisas da página, do roteiro. E se eu não pegá-las lá não há diretor no mundo que me faça entender o que eu não percebi durante a leitura. É simples assim para mim.
O que o senhor espera de um filme no qual aceita trabalhar?
Que a plateia não peça seu dinheiro de volta na saída. Que ela tenha uma experiência instrutiva, se possível, mas antes de mais nada que ela se sinta entretida no espaço daquelas duas horas.
Significa algo quando dizem que o senhor é um dos melhores atores, se não o melhor, de sua geração? Claro que significa algo. Muito pior seria ouvir que você deve voltar para a escola – quem sabe tentar outra coisa, ser encanador, por exemplo.
Significa algo quando dizem que o senhor é um dos melhores atores, se não o melhor, de sua geração? Claro que significa algo. Muito pior seria ouvir que você deve voltar para a escola – quem sabe tentar outra coisa, ser encanador, por exemplo.
A mediocridade não seria pior que o fracasso?
A questão é que ninguém diz aos medíocres que eles são medíocres. As pessoas, neste meio, só se dão ao trabalho de fazer algum comentário olhando nos seus olhos se acham que você é o que há de melhor. Volto, assim, àquela posição de arrogância a partir da qual comentei o fato de Mandela ter escolhido a mim para interpretá-lo: a minha vida inteira, tive certeza de que interessava às pessoas me ver atuar. Sei que sou bom, porque desde o início ouvi isso das pessoas.
O senhor se tornou um dos primeiros atores negros de sucesso em Hollywood. Isso lhe dá orgulho?
Não tenho muita certeza de que queira sentir orgulho disso. Ser uma figura de importância acarreta responsabilidades enormes – que talvez eu não deseje, ou para as quais não seja talhado. Ser um ator importante, isso eu aceito. Ser considerado importante em qualquer outra esfera da vida – isso não. Veja essa celeuma em torno das infidelidades conjugais de Tiger Woods. Ele é um jogador de golfe; não é um pastor de igreja, nunca andou por aí pregando como os outros deveriam ou não agir. Ser um negro de sucesso então o torna automaticamente um modelo de comportamento e autoriza qualquer um a julgar suas atitudes? Creio que está errado. Sei das falhas que tenho, e não quero de maneira nenhuma que me tornem um ícone, seja do que for. O primeiro papel pelo qual ganhei uma indicação ao Oscar, em 1987, foi o de um cafetão violento, em Armação Perigosa, e a-do-rei fazê-lo. Eu deveria então ter considerado se um personagem abjeto como esse é um exemplo adequado para outros jovens negros, ou se ficaria bem em minha biografia? De novo, creio que não. Não sou presidente, não sou Mandela e certamente não sou Deus, e não quero que apliquem tais parâmetros a mim.
Há uma parcela de importância, entretanto, que seria difícil ao senhor refutar: a de ter provado que é possível ter sucesso e prestígio em uma carreira em que as honras durante muito tempo estiveram fora do alcance de um negro.
Compreendo o apelo desse conceito, o de ser um negro importante no mundo. Mas, de novo, prefiro que não me cubram nem com essa importância nem com essa responsabilidade.
Fonte: veja.com.br
Fonte: veja.com.br
domingo, 10 de janeiro de 2010
Uma horta no apartamento
Em vasos, jardineiras ou canteiros, as mini-hortas funcionam muito bem em varandas e jardins. Além de serem livres de agrotóxicos, elas deixam o ambiente mais alegre e cheiroso. Abaixo cinco temperos de fácil manejo em casa - todos requerem pelo menos quatro horas de sol por dia, rega de, no mínimo, três vezes por semana e solo adubado.

Alecrim
Como plantar: como na fase adulta se torna um arbusto, escolha um vaso de pelo menos 30 centímetros de altura. A colheita dos galhinhos deve ser feita com uma tesoura de jardinagem, para não tirar lascas nem machucar a planta
Quanto tempo dura em média: dez anos
Uso na cozinha: com um sabor acentuado e seco, não é apropriado para temperar pratos suaves, como peixes, por exemplo. Pelo mesmo motivo, combina com alimentos como cordeiro, porco e ovelha. Serve também para incrementar batatas rústicas (com casca) e vinagres aromatizados
Cebolinha
Como plantar: mais suscetível ao ataque de pulgões, adapta-se a solos bem drenados e ricos em matéria orgânica. Pode ser colhida até quatro vezes, rebrotando fácil e rapidamente.
Quanto tempo dura em média: seis meses
Uso na cozinha: vai bem em sopas, consomês, molhos, saladas e pratos de carne e de peixe com legumes crus

Manjericão
Como plantar: prefira vasos grandes, com no mínimo 30 centímetros de altura. Como as flores roubam o aroma das folhas, a dica é cortar seus botões
Quanto tempo dura em média: dois anos
Uso na cozinha: combina com massas, sopas, molhos, saladas, linguiças e vinagres aromatizados
Salsinha
Como plantar: prefira vasos ou canteiros pequenos. Na hora de colher, o segredo é cortar o galho e não apenas as folhas, deixando-o a um ou dois dedos de distância do solo. Rebrota até quatro vezes
Quanto tempo dura em média: seis meses
Uso na cozinha: perfeita em molhos, sopas e consomês. Fica bem na decoração de pratos

Hortelã
Como plantar: colha sempre as pontas em crescimento para estimular os brotos. Não pode ser plantada com outras ervas no mesmo vaso, pois suas raízes agressivas matam as outras espécies. Depois de quinze dias do plantio, já pode ser colhida
Quanto tempo dura em média: um ano
Uso na cozinha: pode ser adicionada à água, durante o cozimento de batatas e ervilhas, na preparação de molho para cordeiro e em bebidas frias, sucos e chás
As cinco regras de plantio
1. Use pedaços de telha no fundo de vasos ou jardineiras para evitar o entupimento dos furos por onde a água escoa. Em seguida, coloque uma camada fina de argila e outra de areia. Complete com terra misturada a compostos orgânicos
2. A terra precisa receber adubo a cada quarenta dias ou toda vez que for feita a poda. Use compostos orgânicos como húmus de minhoca, bokashi, farinha de osso ou torta de nim
3. Para não errar na quantidade de água, coloque o dedo na terra antes de regá-la. Plantas encharcadas não se desenvolvem e ficam mais suscetíveis à ação de pragas
4. Prefira canteiros a vasos: eles têm melhor drenagem devido ao solo vivo e à profundidade. Se optar pelo vaso, faça furos embaixo dele
5. Use, a cada quinze dias, repelentes à base de extrato de citronela, alho ou pimenta-malagueta. Eles são encontrados em lojas de jardinagem, mas podem ser feitos em casa. A receita é simples: basta misturar 100 gramas de um desses ingredientes a 1 litro de água, depois de fervida. Uma vez fria, borrife a mistura sobre a planta. O óleo de nim também é ótimo repelente natural.
Fonte: veja.com.br

Alecrim
Como plantar: como na fase adulta se torna um arbusto, escolha um vaso de pelo menos 30 centímetros de altura. A colheita dos galhinhos deve ser feita com uma tesoura de jardinagem, para não tirar lascas nem machucar a planta
Quanto tempo dura em média: dez anos
Uso na cozinha: com um sabor acentuado e seco, não é apropriado para temperar pratos suaves, como peixes, por exemplo. Pelo mesmo motivo, combina com alimentos como cordeiro, porco e ovelha. Serve também para incrementar batatas rústicas (com casca) e vinagres aromatizados
CebolinhaComo plantar: mais suscetível ao ataque de pulgões, adapta-se a solos bem drenados e ricos em matéria orgânica. Pode ser colhida até quatro vezes, rebrotando fácil e rapidamente.
Quanto tempo dura em média: seis meses
Uso na cozinha: vai bem em sopas, consomês, molhos, saladas e pratos de carne e de peixe com legumes crus

Manjericão
Como plantar: prefira vasos grandes, com no mínimo 30 centímetros de altura. Como as flores roubam o aroma das folhas, a dica é cortar seus botões
Quanto tempo dura em média: dois anos
Uso na cozinha: combina com massas, sopas, molhos, saladas, linguiças e vinagres aromatizados
SalsinhaComo plantar: prefira vasos ou canteiros pequenos. Na hora de colher, o segredo é cortar o galho e não apenas as folhas, deixando-o a um ou dois dedos de distância do solo. Rebrota até quatro vezes
Quanto tempo dura em média: seis meses
Uso na cozinha: perfeita em molhos, sopas e consomês. Fica bem na decoração de pratos

Hortelã
Como plantar: colha sempre as pontas em crescimento para estimular os brotos. Não pode ser plantada com outras ervas no mesmo vaso, pois suas raízes agressivas matam as outras espécies. Depois de quinze dias do plantio, já pode ser colhida
Quanto tempo dura em média: um ano
Uso na cozinha: pode ser adicionada à água, durante o cozimento de batatas e ervilhas, na preparação de molho para cordeiro e em bebidas frias, sucos e chás
As cinco regras de plantio
1. Use pedaços de telha no fundo de vasos ou jardineiras para evitar o entupimento dos furos por onde a água escoa. Em seguida, coloque uma camada fina de argila e outra de areia. Complete com terra misturada a compostos orgânicos
2. A terra precisa receber adubo a cada quarenta dias ou toda vez que for feita a poda. Use compostos orgânicos como húmus de minhoca, bokashi, farinha de osso ou torta de nim
3. Para não errar na quantidade de água, coloque o dedo na terra antes de regá-la. Plantas encharcadas não se desenvolvem e ficam mais suscetíveis à ação de pragas
4. Prefira canteiros a vasos: eles têm melhor drenagem devido ao solo vivo e à profundidade. Se optar pelo vaso, faça furos embaixo dele
5. Use, a cada quinze dias, repelentes à base de extrato de citronela, alho ou pimenta-malagueta. Eles são encontrados em lojas de jardinagem, mas podem ser feitos em casa. A receita é simples: basta misturar 100 gramas de um desses ingredientes a 1 litro de água, depois de fervida. Uma vez fria, borrife a mistura sobre a planta. O óleo de nim também é ótimo repelente natural.
Fonte: veja.com.br
Tábua da inovação

Os tablets, pranchetas eletrônicas que reúnem funções de computadores e celulares inteligentes, representam a grande novidade em tecnologia de uso pessoal – e é neles que poderá ser escrito o futuro da internet móvel.
Uma nova geração de aparelhos promete transformar a maneira como as pessoas vão se informar, trabalhar e divertir-se. São os tablets, pranchetas que conjugam os recursos de um computador portátil aos dos smartphones, os celulares com acesso à internet. À maneira de um iPhone, sua tela sensível ao toque (touch screen) responde ao movimento dos dedos, permitindo "folhear" páginas da internet, fotos e livros digitais. Mas esses aparelhos são maiores que iPods ou celulares, o que faz com que neles seja mais agradável ler textos longos e assistir a vídeos. Os primeiros exemplares foram apresentados na semana passada, durante a Consumer Electronics Show, em Las Vegas, a maior feira de eletrônicos do mundo. Steve Ballmer, o presidente da Microsoft, mostrou os modelos de três fabricantes, entre eles o Archos, já à venda, e um protótipo da HP. O tablet mais aguardado, no entanto, é aquele que, dizem os rumores, deverá ser lançado pela Apple no fim do mês. "Não se ansiava tanto por uma tabuleta desde que Moisés desceu da montanha com os mandamentos", escreveu um colunista do New York Times. Espera-se que a empresa de Steve Jobs, depois de revolucionar os celulares com o lançamento do iPhone há três anos, crie mais uma vez o aparelho de referência, com o qual todos os similares serão comparados.
Mais do que a invenção de um novo gadget, nessa disputa está em jogo a primazia no mercado de internet móvel. Um estudo recente do banco Morgan Stanley prevê que o tráfego de dados nas redes móveis deve crescer 66 vezes entre 2008 e 2013. É aí que se concentra a atenção das principais empresas do setor, sobretudo dos gigantes Microsoft, Apple e Google. Além dos tablets, foram apresentados novos modelos de celulares e leitores de livros digitais (os e-readers) que cada vez mais possuem funções similares às dos computadores compactos. Um dia antes da abertura da feira, o Google apresentou a sua novidade: o Nexus One, um telefone celular com acesso à internet e tela touch screen que nasce com a missão de combater a liderança do iPhone. Trata-se do primeiro aparelho que será vendido pela empresa e também o primeiro que carregará a sua marca.
Essa nova linhagem de eletrônicos, sem exceção, tem como característica comum a capacidade de se conectar à internet móvel. Isso porque o futuro está nas nuvens. Em vez de carregar para lá e para cá pen drives ou CDs de dados, já é possível manter documentos em arquivos virtuais, que podem ser consultados em qualquer local do planeta – onde exista acesso à internet, lógico. As informações ficam guardadas em grandes centros de armazenagem de dados (o Google, por exemplo, possui estimados 24 deles ao redor do mundo). É esse o chamado sistema de computação em nuvens. Com o avanço da internet móvel, brotam ingredientes que poderão alterar as relações de poder entre os gigantes de tecnologia. "Mais que criar aparelhos de qualidade, sairá vencedor quem souber construir a melhor cadeia de aplicativos em torno deles – e os melhores canais para ganhar dinheiro com seu uso", diz Silvio Meira, professor de engenharia de software da Universidade Federal de Pernambuco. Há dúvida, por exemplo, se o Google conseguirá replicar nas redes móveis o seu bem-sucedido modelo de lucrar com a venda de links patrocinados na internet convencional usando como isca a oferta de serviços gratuitos. Para o presidente da AgênciaClick, Abel Reis, será mais complexo vender publicidade no mundo sem fio: "Estamos na infância da utilização da publicidade em meios móveis. Há um potencial enorme de geração de receitas nesse mercado".
Um setor que deverá ser especialmente beneficiado por essas inovações é a imprensa. Os tablets acenam com a mais bem-sucedida transposição para o mundo eletrônico da relação secular que o ser humano cultiva com livros, jornais e revistas. Com o toque dos dedos diretamente na tela, sem a necessidade de usar mouse ou qualquer outro dispositivo, pode-se "folhear" uma publicação. A leitura de conteúdo transmitido pela internet se torna mais prazerosa e simples do que nos computadores atuais. Uma tela colorida e maior oferece, ainda, mais recursos para a veiculação de publicidade. Os tablets podem ser uma tábua de salvação também para a imprensa.
Por Benedito Sverberi em veja.com.br
James Cameron só tem um rival na bilheteria: James Cameron
O diretor James Cameron planejou a ficção científica Avatar como uma revolução – uma amostra de que o cinema em 3D está pronto para se tornar um formato utilizado em larga escala e, um dia, vir a substituir o 2D convencional. Serão necessários anos ainda para aferir se essa profecia vai se realizar. Mas a revolução tem uma imensa acolhida popular: com apenas vinte dias em cartaz, Avatar bateu em 1,132 bilhão de dólares arrecadados e saltou para o posto de a segunda maior bilheteria mundial.
Agora, porém, Cameron terá um rival literalmente à sua altura na disputa pela liderança: o próprio Cameron. Seu Titanic não apenas está cerca de 700 milhões à frente do segundo posto, como abriria distância bem maior ainda caso sua bilheteria fosse ajustada pela inflação – tomando-se como base só sua renda nos Estados Unidos, isso significaria uma elevação de seu total para algo como 2,2 bilhões.
Com apenas cinco integrantes, o "clube do bilhão" é restritíssimo: para alcançar tal cifra, é preciso suscitar antecipação extraordinária, cunhando o que hoje se chama de "filme-evento". De preferência, deve-se também partir de material já testado (por exemplo, continuações). Só Titanic e Avatar fogem a essa regra. Seguem outra, peculiar a Cameron: a oferta de uma experiência cinematográfica nunca antes vivida. Esse é um dos dois motivos pelos quais é impossível projetar uma renda final para Avatar. O outro é a própria exibição em 3D, que nos Estados Unidos responde por 75% da arrecadação do filme e, no Brasil, por metade dela (os ingressos são mais caros que para a versão 2D). Esse é um mercado novo. E, pela primeira vez, está sendo testado com um fenômeno de tal magnitude.
Fonte: veja.com.br
O "efeito Avatar" chega à TV
Nos últimos três anos, os estúdios de cinema voltaram a explorar, com sucesso, a tecnologia 3D. Filmes como A Lenda de Beowulf e Viagem ao Centro da Terra prepararam terreno para o sucesso extraordinário do recém-lançado Avatar, que, em apenas vinte dias de exibição, se tornou a segunda maior bilheteria da história do cinema.
A acolhida à produção de James Cameron tirou de cena as últimas dúvidas quanto ao desejo de um grande número de pessoas de tomar parte na experiência de imersão em um cenário inventado que o 3D proporciona. Espera-se que neste ano Hollywood produza mais de duas dezenas de filmes desse tipo. Mas, em 2010, o "efeito Avatar" já não vai ficar restrito às salas de projeção. Na semana passada, marcas como Sony, Samsung e LG exibiram novas linhas de televisores dotados de tecnologia que permite ver atrações com imagens tridimensionais. Vários fabricantes também apresentaram ao mercado equipamentos de reprodução de discos Blu-ray em 3D. A maioria dos lançamentos só deverá estar disponível para os consumidores no segundo semestre, quando se espera que seja definido um padrão mundial para a tecnologia. Mas alguns canais de TV se anteciparam. A ESPN, braço da Disney para transmissões esportivas, anunciou a inauguração de um canal 3D nos Estados Unidos em junho. O Discovery, a Sony e a IMAX – potência dessa tecnologia nas salas de cinema – vão se unir para iniciativa semelhante. Idem para a DirecTV americana. E, no Brasil, a Globo já faz gravações experimentais de programas em 3D.
Espera-se que a Copa do Mundo de futebol da África do Sul, que se inicia em junho, ajude a impulsionar as vendas dos televisores 3D. A Fifa firmou parcerias com a Sony, que fará captação de imagens da Copa nesse formato, e com a ESPN. A Copa do Mundo já demonstrou seu poder de disseminar as inovações tecnológicas da televisão. A edição anterior impulsionou a comercialização de aparelhos de plasma e LCD. Por isso mesmo, popularizar o 3D vai requerer algum esforço. Será preciso convencer consumidores que acabaram de adquirir equipamentos novos a fazer uma nova troca – e gastar um bom dinheiro. Nos Estados Unidos, televisores 3D terão preços salgados, acima de 2 000 dólares. Há ainda a necessidade de adaptação dos hábitos. Assim como ocorre no cinema, o espectador terá de usar óculos especiais – um incômodo e tanto para quem quer só acionar o controle remoto e relaxar no sofá. Alguns modelos custam caro – até 100 dólares. Deve-se cuidar para não sujá-los com a manteiga da pipoca.
Entre os fabricantes, a invenção de uma televisão 3D que dispense os óculos é uma espécie de busca do Santo Graal. Há dificuldades enormes para isso. O efeito 3D é uma reprodução técnica do modo natural como os olhos humanos captam as imagens no espaço. O olho direito e o esquerdo registram imagens da mesma cena por ângulos ligeiramente distintos – e o processamento delas no cérebro é que nos dá a noção de volume e profundidade. No cinema ou na TV, as imagens em 3D são captadas por câmeras com duas lentes colocadas a pequena distância uma da outra, como nos olhos humanos. A função dos óculos é fazer com que essas imagens sejam fundidas. As tentativas de produzir uma tela de TV que já exiba as imagens em 3D não vingaram até agora porque esse sistema requer que o espectador se sente numa posição fixa diante do aparelho – sob o risco de ver imagens embaralhadas. Em 2006, a holandesa Philips chegou a lançar um televisor 3D assim, para uso de grandes empresas – que compreensivelmente não encontrou demanda e teve sua produção encerrada.
No lado das emissoras, também há desafios a ser vencidos. O avanço da tecnologia permitiu o surgimento de câmeras 3D menores, mais precisas e mais fáceis de trabalhar do que as versões primitivas, que tinham dimensões de uma máquina de lavar. Ainda assim, gravar programas nesse formato continua a ser uma operação complicada. "São necessários três profissionais para cada câmera: um operador, outro incumbido de ajustar as lentes e um terceiro para monitorar o processo todo", diz José Dias, um dos responsáveis pelo setor de engenharia da Globo. A emissora gravou trinta minutos do Carnaval do ano passado em 3D, apenas a título de teste. Mais recentemente, também registrou assim – outra vez, só para consumo interno – várias cenas da novela Viver a Vida. Em fevereiro, deverá gravar em 3D dois dias de desfiles do Carnaval carioca – e, pela primeira vez, existe a possibilidade de que essas imagens sejam levadas de fato ao ar, apenas em transmissões por assinatura. Nos próximos anos, o 3D deve ser utilizado sobretudo para assistir a filmes em Blu-ray. A transmissão tridimensional em sinal aberto deve demorar bem mais para entrar na rotina do espectador.


A acolhida à produção de James Cameron tirou de cena as últimas dúvidas quanto ao desejo de um grande número de pessoas de tomar parte na experiência de imersão em um cenário inventado que o 3D proporciona. Espera-se que neste ano Hollywood produza mais de duas dezenas de filmes desse tipo. Mas, em 2010, o "efeito Avatar" já não vai ficar restrito às salas de projeção. Na semana passada, marcas como Sony, Samsung e LG exibiram novas linhas de televisores dotados de tecnologia que permite ver atrações com imagens tridimensionais. Vários fabricantes também apresentaram ao mercado equipamentos de reprodução de discos Blu-ray em 3D. A maioria dos lançamentos só deverá estar disponível para os consumidores no segundo semestre, quando se espera que seja definido um padrão mundial para a tecnologia. Mas alguns canais de TV se anteciparam. A ESPN, braço da Disney para transmissões esportivas, anunciou a inauguração de um canal 3D nos Estados Unidos em junho. O Discovery, a Sony e a IMAX – potência dessa tecnologia nas salas de cinema – vão se unir para iniciativa semelhante. Idem para a DirecTV americana. E, no Brasil, a Globo já faz gravações experimentais de programas em 3D.
Espera-se que a Copa do Mundo de futebol da África do Sul, que se inicia em junho, ajude a impulsionar as vendas dos televisores 3D. A Fifa firmou parcerias com a Sony, que fará captação de imagens da Copa nesse formato, e com a ESPN. A Copa do Mundo já demonstrou seu poder de disseminar as inovações tecnológicas da televisão. A edição anterior impulsionou a comercialização de aparelhos de plasma e LCD. Por isso mesmo, popularizar o 3D vai requerer algum esforço. Será preciso convencer consumidores que acabaram de adquirir equipamentos novos a fazer uma nova troca – e gastar um bom dinheiro. Nos Estados Unidos, televisores 3D terão preços salgados, acima de 2 000 dólares. Há ainda a necessidade de adaptação dos hábitos. Assim como ocorre no cinema, o espectador terá de usar óculos especiais – um incômodo e tanto para quem quer só acionar o controle remoto e relaxar no sofá. Alguns modelos custam caro – até 100 dólares. Deve-se cuidar para não sujá-los com a manteiga da pipoca.
Entre os fabricantes, a invenção de uma televisão 3D que dispense os óculos é uma espécie de busca do Santo Graal. Há dificuldades enormes para isso. O efeito 3D é uma reprodução técnica do modo natural como os olhos humanos captam as imagens no espaço. O olho direito e o esquerdo registram imagens da mesma cena por ângulos ligeiramente distintos – e o processamento delas no cérebro é que nos dá a noção de volume e profundidade. No cinema ou na TV, as imagens em 3D são captadas por câmeras com duas lentes colocadas a pequena distância uma da outra, como nos olhos humanos. A função dos óculos é fazer com que essas imagens sejam fundidas. As tentativas de produzir uma tela de TV que já exiba as imagens em 3D não vingaram até agora porque esse sistema requer que o espectador se sente numa posição fixa diante do aparelho – sob o risco de ver imagens embaralhadas. Em 2006, a holandesa Philips chegou a lançar um televisor 3D assim, para uso de grandes empresas – que compreensivelmente não encontrou demanda e teve sua produção encerrada.
No lado das emissoras, também há desafios a ser vencidos. O avanço da tecnologia permitiu o surgimento de câmeras 3D menores, mais precisas e mais fáceis de trabalhar do que as versões primitivas, que tinham dimensões de uma máquina de lavar. Ainda assim, gravar programas nesse formato continua a ser uma operação complicada. "São necessários três profissionais para cada câmera: um operador, outro incumbido de ajustar as lentes e um terceiro para monitorar o processo todo", diz José Dias, um dos responsáveis pelo setor de engenharia da Globo. A emissora gravou trinta minutos do Carnaval do ano passado em 3D, apenas a título de teste. Mais recentemente, também registrou assim – outra vez, só para consumo interno – várias cenas da novela Viver a Vida. Em fevereiro, deverá gravar em 3D dois dias de desfiles do Carnaval carioca – e, pela primeira vez, existe a possibilidade de que essas imagens sejam levadas de fato ao ar, apenas em transmissões por assinatura. Nos próximos anos, o 3D deve ser utilizado sobretudo para assistir a filmes em Blu-ray. A transmissão tridimensional em sinal aberto deve demorar bem mais para entrar na rotina do espectador.

COMO NOSSOS OLHOS Para produzir as imagens em 3D, os programas de TV terão de ser captados por uma câmera com duas lentes colocadas a pequena distância – imitando a visão humana. Isso torna as gravações mais complicadas: nos testes realizados pela Globo, cada câmera teve de ser manejada por três profissionais, em vez de por apenas uma pessoa

MAL NECESSÁRIO Os óculos especiais para assistir às novas televisões 3D: assim como no cinema, eles são indispensáveis para criar a ilusão tridimensional. Sua função é fundir as imagens – de forma que cada olho veja a cena por um ângulo ligeiramente diferente, ao mesmo tempo.
Por Steve Marcus/Reuters em veja.com.br
Líderes mundiais, assistam à Avatar
A 15ª Conferência das Partes (COP 15), realizada pela ONU, chegou ao seu fim na sexta-feira, 18 de dezembro, com um resultado aquém do esperado. Durante duas semanas, o mundo voltou-se para o Bella Center, em Copenhague, na expectativa do fechamento de um acordo de redução das emissões de gases agravadores do efeito estufa produzidas pela ação humana. Levando em consideração o fato de que o planeta passa por uma crise ambiental sem precedentes na história da humanidade, causada por um modelo vigente de desenvolvimento ecologicamente predatório, a estréia mundial da mega-produção Avatar no mesmo dia do término das negociações serve de consolo para aqueles que esperavam a elaboração de um acordo mais efetivo. Mesmo tratando-se de uma ficção, quem sabe o longa não serve de exemplo e inspiração para um maior compromisso dos líderes mundiais na COP 16?
A trama conta a história de Jake Sully (Sam Worthington), um fuzileiro naval paraplégico. Ele é enviado para uma missão especial em Pandora, um planeta dotado de florestas tropicais parecidas com a amazônica. A colônia terráquea lá instalada se ocupa do garimpo do minério raríssimo e valioso unobtanium, visto como a solução para a crise energética da Terra. Porém, a extração esbarra no ar do planeta, tóxico para o organismo humano e nos Na’vi, os humanóides azuis de três metros de altura que habitam Pandora. A cultura dos nativos respeita todas as formas de vida, baseando-se na crença de que todos os seres da natureza fazem parte de uma grande rede de troca de energias. A missão de Jake consiste em transferir sua mente para o corpo de um Na’vi clonado, o chamado avatar, para explorar o ambiente do planeta e entender o seu funcionamento. Ao perambular com seu novo corpo azulado de aparência felina pelas montanhas flutuantes, o fuzileiro conhece Neytiri (Zoe Saldana), uma nativa por quem se apaixona. O conflito é ampliado quando os investidores resolvem eliminar os obstáculos para a obtenção do minério e dão início a uma guerra com os habitantes de Pandora, visando devastar a tribo de humanóides, localizada exatamente sobre a maior concentração de unobtanium existente no planeta. Completam o elenco Sigourney Weaver, Michelle Rodriguez, Joel Moore, Peter Mensah, Lola Herrera, Matt Gerald, além de CCH Pounder, Wes Studi, Giovanni Ribisi e Laz Alonso.
O diretor canadense James Cameron afirmou na estréia do filme em Londres que Avatar “é uma metáfora, não tão politizada como alguns gostariam, sobre como tratamos nossos recursos naturais”. Durante a história, a câmera faz seqüências sedutoras da natureza e dos nativos de Pandora, exibindo suas crenças, paralelamente ao seu relacionamento de perfeito equilíbrio com o meio ambiente e de respeito com a resiliência do planeta, ou seja, a sua capacidade de recuperar o seu estado original.
Não se pode deixar de citar o marco que o filme pode representar para o mercado dos efeitos especiais. Várias das tecnologias utilizadas por Cameron foram desenvolvidas especialmente para a megaprodução. Avatar contou com a parceria da empresa de efeitos especiais Weta, de Peter Jackson. A companhia foi a mesma que deu vida para o personagem Gollum, de O senhor dos anéis (2001/2002/2003) e para o gorila de King Kong (2005). A técnica de captura de ação – na qual os movimentos e expressões dos atores são captados por sensores e reproduzidos digitalmente – foi aperfeiçoada especialmente a pedido de Cameron. O diretor afirmou não querer animação e sim interpretação em seu filme. O resultado são cerca de 2 horas e 40 minutos com gigantes azuis de expressões extremamente humanas. Visando o máximo de veracidade possível, Cameron contratou Paul Frommer para criar o dialeto falado pelos Na’vi. O lingüista se baseou em sonoridades da Indonésia, línguas de tribos africanas, e até de índios americanos e da Polinésia.
O resultado de tantos investimentos pesou no orçamento total, que beira os 500 milhões de dólares. O filme possui cópias em IMAX e 3D, modelo de exibição que vem crescendo nos últimos anos em animações, na busca da recuperação do público perdido para o mercado de DVDs. Avatar está sendo encarado como a primeira vez que a reprodução em três dimensões é utilizada com qualidade em filmes com atores e ações reais, fato que pode representar uma revolução na maneira de se fazer cinema ao redor do mundo.
James Cameron começou o planejamento do longa em 1995. Em 1998, após o sucesso estrondoso de Titanic (1997), tentou começar o projeto, porém esbarrou na tecnologia existente na época, ainda incapaz de dar vida com perfeição aos habitantes de Pandora. Suas experiências anteriores com efeitos especiais de ponta foram O segredo do abismo (1989) e O exterminador do futuro 2 (1991). O diretor teve que esperar pelo desenvolvimento da técnica de captura de ação até 2005 para começar a realização da nova mega-produção.
A expectativa para a estréia está sendo tamanha, que o diretor já afirmou ter idéias para a produção de duas seqüências do filme. Os projetos dependem da bilheteria gerada por Avatar, que precisa gerar lucros suficientes, justificando o desenvolvimento de uma franquia. Mesmo assim, tudo indica que as seqüências vêm por aí, pois levando em conta o fiasco na COP 15, os líderes mundiais vão estar ansiosos para melhorar suas imagens públicas, priorizando o investimento em projetos dotados de mensagens ecologicamente corretas, exatamente como a dos azulões de Pandora. Ficção ou metáfora, o fato é que as salas de cinema da Dinamarca e do mundo estarão lotadas após a martelada final no Bella Center.
Por Vinícius Valente em www.saraiva.com.br
A trama conta a história de Jake Sully (Sam Worthington), um fuzileiro naval paraplégico. Ele é enviado para uma missão especial em Pandora, um planeta dotado de florestas tropicais parecidas com a amazônica. A colônia terráquea lá instalada se ocupa do garimpo do minério raríssimo e valioso unobtanium, visto como a solução para a crise energética da Terra. Porém, a extração esbarra no ar do planeta, tóxico para o organismo humano e nos Na’vi, os humanóides azuis de três metros de altura que habitam Pandora. A cultura dos nativos respeita todas as formas de vida, baseando-se na crença de que todos os seres da natureza fazem parte de uma grande rede de troca de energias. A missão de Jake consiste em transferir sua mente para o corpo de um Na’vi clonado, o chamado avatar, para explorar o ambiente do planeta e entender o seu funcionamento. Ao perambular com seu novo corpo azulado de aparência felina pelas montanhas flutuantes, o fuzileiro conhece Neytiri (Zoe Saldana), uma nativa por quem se apaixona. O conflito é ampliado quando os investidores resolvem eliminar os obstáculos para a obtenção do minério e dão início a uma guerra com os habitantes de Pandora, visando devastar a tribo de humanóides, localizada exatamente sobre a maior concentração de unobtanium existente no planeta. Completam o elenco Sigourney Weaver, Michelle Rodriguez, Joel Moore, Peter Mensah, Lola Herrera, Matt Gerald, além de CCH Pounder, Wes Studi, Giovanni Ribisi e Laz Alonso.
O diretor canadense James Cameron afirmou na estréia do filme em Londres que Avatar “é uma metáfora, não tão politizada como alguns gostariam, sobre como tratamos nossos recursos naturais”. Durante a história, a câmera faz seqüências sedutoras da natureza e dos nativos de Pandora, exibindo suas crenças, paralelamente ao seu relacionamento de perfeito equilíbrio com o meio ambiente e de respeito com a resiliência do planeta, ou seja, a sua capacidade de recuperar o seu estado original.
Não se pode deixar de citar o marco que o filme pode representar para o mercado dos efeitos especiais. Várias das tecnologias utilizadas por Cameron foram desenvolvidas especialmente para a megaprodução. Avatar contou com a parceria da empresa de efeitos especiais Weta, de Peter Jackson. A companhia foi a mesma que deu vida para o personagem Gollum, de O senhor dos anéis (2001/2002/2003) e para o gorila de King Kong (2005). A técnica de captura de ação – na qual os movimentos e expressões dos atores são captados por sensores e reproduzidos digitalmente – foi aperfeiçoada especialmente a pedido de Cameron. O diretor afirmou não querer animação e sim interpretação em seu filme. O resultado são cerca de 2 horas e 40 minutos com gigantes azuis de expressões extremamente humanas. Visando o máximo de veracidade possível, Cameron contratou Paul Frommer para criar o dialeto falado pelos Na’vi. O lingüista se baseou em sonoridades da Indonésia, línguas de tribos africanas, e até de índios americanos e da Polinésia.
O resultado de tantos investimentos pesou no orçamento total, que beira os 500 milhões de dólares. O filme possui cópias em IMAX e 3D, modelo de exibição que vem crescendo nos últimos anos em animações, na busca da recuperação do público perdido para o mercado de DVDs. Avatar está sendo encarado como a primeira vez que a reprodução em três dimensões é utilizada com qualidade em filmes com atores e ações reais, fato que pode representar uma revolução na maneira de se fazer cinema ao redor do mundo.
James Cameron começou o planejamento do longa em 1995. Em 1998, após o sucesso estrondoso de Titanic (1997), tentou começar o projeto, porém esbarrou na tecnologia existente na época, ainda incapaz de dar vida com perfeição aos habitantes de Pandora. Suas experiências anteriores com efeitos especiais de ponta foram O segredo do abismo (1989) e O exterminador do futuro 2 (1991). O diretor teve que esperar pelo desenvolvimento da técnica de captura de ação até 2005 para começar a realização da nova mega-produção.
A expectativa para a estréia está sendo tamanha, que o diretor já afirmou ter idéias para a produção de duas seqüências do filme. Os projetos dependem da bilheteria gerada por Avatar, que precisa gerar lucros suficientes, justificando o desenvolvimento de uma franquia. Mesmo assim, tudo indica que as seqüências vêm por aí, pois levando em conta o fiasco na COP 15, os líderes mundiais vão estar ansiosos para melhorar suas imagens públicas, priorizando o investimento em projetos dotados de mensagens ecologicamente corretas, exatamente como a dos azulões de Pandora. Ficção ou metáfora, o fato é que as salas de cinema da Dinamarca e do mundo estarão lotadas após a martelada final no Bella Center.
Por Vinícius Valente em www.saraiva.com.br
sábado, 9 de janeiro de 2010
Férias em Cacoal-RO
5 de janeiro: estamos passando as férias em Cacoal-RO. Muito calor, sorvete, piscina e diversão para as crianças.
O Cacoal Selva Park Hotel é um complexo
turístico em plena floresta amazônica, que nos proporcionou paisagens que até agora só conhecíamos através de documentários.
turístico em plena floresta amazônica, que nos proporcionou paisagens que até agora só conhecíamos através de documentários.Não bastasse sua beleza natural, o local é repleto de surpresas cuidadosamente preparadas pelos proprietários.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Carta de um Agricultor para seu primo da cidade
Luis, quanto tempo!
Eu sou o Zé, teu colega de ginásio noturno, que chegava atrasado, porque o transporte escolar do sítio sempre atrasava, lembra né? O Zé do sapato sujo? Tinha professor e colega que nunca entenderam que eu tinha de andar a pé mais de meia légua para pegar o caminhão, por isso o sapato sujava.
Se não lembrou ainda eu te ajudo. Lembra do Zé Cochilo..., era eu! Quando eu descia do caminhão de volta pra casa, já era onze e meia da noite, e com a caminhada até em casa, quando eu ia dormir já era mais de meia-noite.
De madrugada o pai precisava de ajuda pra tirar leite das vacas. Por isso eu só vivia com sono. Do Zé Cochilo você lembra né Luis?
Pois é. Estou pensando em mudar para viver ai na cidade que nem vocês. Não que seja ruim o sítio, aqui é bom. Muito mato, passarinho, ar puro... Só que acho que estou estragando a tua vida e a de teus amigos aí da cidade.
Tô vendo todo mundo falar que nós da agricultura familiar estamos destruindo o meio ambiente.
Veja só. O sítio de papai, que agora é meu (não te contei, ele morreu e tive que parar de estudar) fica só a uma hora de distância da cidade. Todos os matutos daqui já têm luz em casa, mas eu continuo sem ter porque não se pode fincar os postes por dentro uma tal de APPA que criaram aqui na vizinhança.
Minha água é de um poço que meu avô cavou há muitos anos, uma maravilha, mas um homem do governo veio aqui e falou que tenho que fazer uma outorga da água e pagar uma taxa de uso, porque a água vai se acabar. Se ele falou deve ser verdade, né Luis?
Pra ajudar com as vacas de leite (o pai se foi, né ...) contratei Juca, filho de um vizinho muito pobre aqui do lado. Carteira assinada, salário mínimo, tudo direitinho como o contador mandou. Ele morava aqui com nós num quarto dos fundos de casa. Comia com a gente, que nem da família. Mas vieram umas pessoas aqui, do sindicato e da Delegacia do Trabalho, elas falaram que se o Juca fosse tirar leite das vacas às 5 horas tinha que receber hora extra noturna, e que não podia trabalhar nem sábado nem domingo, mas as vacas daqui não sabem os dias da semana ai não param de fazer leite. Os bichos aí da cidade sabem se guiar pelo calendário?
Essas pessoas ainda foram ver o quarto de Juca, e disseram que o beliche tava 2 cm menor do que devia. Nossa! Eu não sei como encumpridar uma cama, só comprando outra né Luis? O candeeiro eles disseram que não podia acender no quarto, que tem que ser luz elétrica, que eu tenho que ter um gerador pra ter luz boa no quarto do Juca.
Disseram ainda que a comida que a gente fazia e comia juntos tinha que fazer parte do salário dele. Bom Luis, tive que pedir ao Juca pra voltar pra casa, desempregado, mas muito bem protegido pelos sindicatos, pelo fiscais e pelas leis. Mas eu acho que não deu muito certo. Semana passada me disseram que ele foi preso na cidade porque botou um chocolate no bolso no supermercado. Levaram ele pra delegacia, bateram nele, mas desta vez não apareceu nem sindicato nem fiscal do trabalho para acudi-lo.
Depois que o Juca saiu eu e Marina (lembra dela, né? casei) tiramos o leite às 5 e meia, aí eu levo o leite de carroça até a beira da estrada onde o carro da cooperativa pega todo dia, isso se não chover. Se chover, perco o leite e dou aos porcos, ou melhor, eu dava, hoje eu jogo fora.
Os porcos eu não tenho mais, pois veio outro homem e disse que a distância do chiqueiro para o riacho não podia ser só 20 metros. Disse que eu tinha que derrubar tudo e só fazer chiqueiro depois dos 30 metros de distância do rio, e ainda tinha que fazer umas coisas pra proteger o rio, um tal de digestor. Achei que ele tava certo e disse que ia fazer, mas só que eu sozinho ia demorar uns trinta dia pra fazer, mesmo assim ele ainda me multou, e pra poder pagar eu tive que vender os porcos as madeiras e as telhas do chiqueiro, fiquei só com as vacas. O promotor disse que desta vez, por esse crime, ele não ai mandar me prender, mas me obrigou a dar 6 cestas básicas pro orfanato da cidade. Ô Luis, ai quando vocês sujam o rio também pagam multa grande né?
Agora pela água do meu poço eu até posso pagar, mas tô preocupado com a água do rio. Aqui agora o rio todo deve ser como o rio da capital, todo protegido, com mata ciliar dos dois lados. As vacas agora não podem chegar no rio pra não sujar, nem fazer erosão. Tudo vai ficar limpinho como os rios ai da cidade. A pocilga já acabou e as vacas não podem chegar perto. Só que alguma coisa tá errada, porque quando vou na capital nem vejo mata ciliar, nem rio limpo. Só vejo água fedida e lixo boiando pra todo lado. Mas não é o povo da cidade que suja o rio, né Luis? Quem será?
Aqui no mato agora quem sujar tem multa grande, e dá até prisão. Cortar árvore então, Nossa Senhora!. Tinha uma árvore grande ao lado de casa que murchou e tava morrendo, então resolvi derrubá-la para aproveitar a madeira antes dela cair por cima da casa. Fui no escritório daqui pedir autorização, como não tinha ninguém, viajei até a capital e fui no Ibama, preenchi uns papéis e voltei para esperar o fiscal vim fazer um laudo, para ver se depois podia autorizar. Passaram 8 meses e ninguém apareceu pra fazer o tal laudo ai eu vi que o pau ia cair em cima da casa e derrubei. Pronto! No outro dia chegou o fiscal e me multou. Já recebi uma intimação do Promotor porque virei criminoso reincidente. Primeiro foi os porcos, e agora foi o pau. Acho que desta vez vou ficar preso.
Tô preocupado Luis, pois no rádio deu que a nova lei vai dá multa de 500 a 20 mil reais por hectare e por dia. Calculei que se eu for multado eu perco o sítio numa semana. Então é melhor vender, e ir morar onde todo mundo cuida da ecologia.. Vou para a cidade, ai tem luz, carro, comida, rio limpo. Olha, não quero fazer nada errado, só falei dessas coisas porque tenho certeza que a lei é pra todos.
Então resolvi ir morar aí com vocês, Luis. Mais fique tranqüilo, vou usar o dinheiro da venda do sítio primeiro pra comprar essa tal de geladeira. Aqui no sitio eu tenho que pegar tudo na roça. Primeiro a gente planta, cultiva, limpa e só depois colhe pra levar pra casa. Ai é bom que vocês e só abrir a geladeira que tem tudo. Nem dá trabalho, nem planta, nem cuida de galinha, nem porco, nem vaca é só abri a geladeira que a comida tá lá, prontinha, fresquinha, sem precisá de nós, os criminosos aqui da roça.
Até mais Luis.
Ah, desculpe Luis, não pude mandar a carta em papel reciclado pois não existe por aqui, mas aguarde até eu vender o sítio.
(Todos os fatos e situações de multas e exigências são baseados em dados verdadeiros. A sátira não visa atenuar responsabilidades, mas alertar o quanto o tratamento ambiental é desigual e discricionário entre o meio rural e o meio urbano.)
Eu sou o Zé, teu colega de ginásio noturno, que chegava atrasado, porque o transporte escolar do sítio sempre atrasava, lembra né? O Zé do sapato sujo? Tinha professor e colega que nunca entenderam que eu tinha de andar a pé mais de meia légua para pegar o caminhão, por isso o sapato sujava.
Se não lembrou ainda eu te ajudo. Lembra do Zé Cochilo..., era eu! Quando eu descia do caminhão de volta pra casa, já era onze e meia da noite, e com a caminhada até em casa, quando eu ia dormir já era mais de meia-noite.
De madrugada o pai precisava de ajuda pra tirar leite das vacas. Por isso eu só vivia com sono. Do Zé Cochilo você lembra né Luis?
Pois é. Estou pensando em mudar para viver ai na cidade que nem vocês. Não que seja ruim o sítio, aqui é bom. Muito mato, passarinho, ar puro... Só que acho que estou estragando a tua vida e a de teus amigos aí da cidade.
Tô vendo todo mundo falar que nós da agricultura familiar estamos destruindo o meio ambiente.
Veja só. O sítio de papai, que agora é meu (não te contei, ele morreu e tive que parar de estudar) fica só a uma hora de distância da cidade. Todos os matutos daqui já têm luz em casa, mas eu continuo sem ter porque não se pode fincar os postes por dentro uma tal de APPA que criaram aqui na vizinhança.
Minha água é de um poço que meu avô cavou há muitos anos, uma maravilha, mas um homem do governo veio aqui e falou que tenho que fazer uma outorga da água e pagar uma taxa de uso, porque a água vai se acabar. Se ele falou deve ser verdade, né Luis?
Pra ajudar com as vacas de leite (o pai se foi, né ...) contratei Juca, filho de um vizinho muito pobre aqui do lado. Carteira assinada, salário mínimo, tudo direitinho como o contador mandou. Ele morava aqui com nós num quarto dos fundos de casa. Comia com a gente, que nem da família. Mas vieram umas pessoas aqui, do sindicato e da Delegacia do Trabalho, elas falaram que se o Juca fosse tirar leite das vacas às 5 horas tinha que receber hora extra noturna, e que não podia trabalhar nem sábado nem domingo, mas as vacas daqui não sabem os dias da semana ai não param de fazer leite. Os bichos aí da cidade sabem se guiar pelo calendário?
Essas pessoas ainda foram ver o quarto de Juca, e disseram que o beliche tava 2 cm menor do que devia. Nossa! Eu não sei como encumpridar uma cama, só comprando outra né Luis? O candeeiro eles disseram que não podia acender no quarto, que tem que ser luz elétrica, que eu tenho que ter um gerador pra ter luz boa no quarto do Juca.
Disseram ainda que a comida que a gente fazia e comia juntos tinha que fazer parte do salário dele. Bom Luis, tive que pedir ao Juca pra voltar pra casa, desempregado, mas muito bem protegido pelos sindicatos, pelo fiscais e pelas leis. Mas eu acho que não deu muito certo. Semana passada me disseram que ele foi preso na cidade porque botou um chocolate no bolso no supermercado. Levaram ele pra delegacia, bateram nele, mas desta vez não apareceu nem sindicato nem fiscal do trabalho para acudi-lo.
Depois que o Juca saiu eu e Marina (lembra dela, né? casei) tiramos o leite às 5 e meia, aí eu levo o leite de carroça até a beira da estrada onde o carro da cooperativa pega todo dia, isso se não chover. Se chover, perco o leite e dou aos porcos, ou melhor, eu dava, hoje eu jogo fora.
Os porcos eu não tenho mais, pois veio outro homem e disse que a distância do chiqueiro para o riacho não podia ser só 20 metros. Disse que eu tinha que derrubar tudo e só fazer chiqueiro depois dos 30 metros de distância do rio, e ainda tinha que fazer umas coisas pra proteger o rio, um tal de digestor. Achei que ele tava certo e disse que ia fazer, mas só que eu sozinho ia demorar uns trinta dia pra fazer, mesmo assim ele ainda me multou, e pra poder pagar eu tive que vender os porcos as madeiras e as telhas do chiqueiro, fiquei só com as vacas. O promotor disse que desta vez, por esse crime, ele não ai mandar me prender, mas me obrigou a dar 6 cestas básicas pro orfanato da cidade. Ô Luis, ai quando vocês sujam o rio também pagam multa grande né?
Agora pela água do meu poço eu até posso pagar, mas tô preocupado com a água do rio. Aqui agora o rio todo deve ser como o rio da capital, todo protegido, com mata ciliar dos dois lados. As vacas agora não podem chegar no rio pra não sujar, nem fazer erosão. Tudo vai ficar limpinho como os rios ai da cidade. A pocilga já acabou e as vacas não podem chegar perto. Só que alguma coisa tá errada, porque quando vou na capital nem vejo mata ciliar, nem rio limpo. Só vejo água fedida e lixo boiando pra todo lado. Mas não é o povo da cidade que suja o rio, né Luis? Quem será?
Aqui no mato agora quem sujar tem multa grande, e dá até prisão. Cortar árvore então, Nossa Senhora!. Tinha uma árvore grande ao lado de casa que murchou e tava morrendo, então resolvi derrubá-la para aproveitar a madeira antes dela cair por cima da casa. Fui no escritório daqui pedir autorização, como não tinha ninguém, viajei até a capital e fui no Ibama, preenchi uns papéis e voltei para esperar o fiscal vim fazer um laudo, para ver se depois podia autorizar. Passaram 8 meses e ninguém apareceu pra fazer o tal laudo ai eu vi que o pau ia cair em cima da casa e derrubei. Pronto! No outro dia chegou o fiscal e me multou. Já recebi uma intimação do Promotor porque virei criminoso reincidente. Primeiro foi os porcos, e agora foi o pau. Acho que desta vez vou ficar preso.
Tô preocupado Luis, pois no rádio deu que a nova lei vai dá multa de 500 a 20 mil reais por hectare e por dia. Calculei que se eu for multado eu perco o sítio numa semana. Então é melhor vender, e ir morar onde todo mundo cuida da ecologia.. Vou para a cidade, ai tem luz, carro, comida, rio limpo. Olha, não quero fazer nada errado, só falei dessas coisas porque tenho certeza que a lei é pra todos.
Então resolvi ir morar aí com vocês, Luis. Mais fique tranqüilo, vou usar o dinheiro da venda do sítio primeiro pra comprar essa tal de geladeira. Aqui no sitio eu tenho que pegar tudo na roça. Primeiro a gente planta, cultiva, limpa e só depois colhe pra levar pra casa. Ai é bom que vocês e só abrir a geladeira que tem tudo. Nem dá trabalho, nem planta, nem cuida de galinha, nem porco, nem vaca é só abri a geladeira que a comida tá lá, prontinha, fresquinha, sem precisá de nós, os criminosos aqui da roça.
Até mais Luis.
Ah, desculpe Luis, não pude mandar a carta em papel reciclado pois não existe por aqui, mas aguarde até eu vender o sítio.
(Todos os fatos e situações de multas e exigências são baseados em dados verdadeiros. A sátira não visa atenuar responsabilidades, mas alertar o quanto o tratamento ambiental é desigual e discricionário entre o meio rural e o meio urbano.)
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
UMA LENDA CHINESA
Era uma vez uma jovem chamada Lin, que se casou e foi viver com o marido na casa da sogra. Depois de algum tempo, começou a ver que não se adaptava à sogra. Os temperamentos eram muito diferentes e Lin se irritava com os hábitos e costumes da sogra, que criticava cada vez mais com insistência.
Com o passar dos meses, as coisas foram piorando, a ponto de a vida se tornar insuportável. No entanto, segundo as tradições antigas da China, a nora tem que estar sempre a serviço da sogra e obedecer-lhe em tudo. Mas Lin, não suportando por mais tempo a idéia de viver com a sogra, tomou a decisão de ir consultar um Mestre, velho amigo do seu pai.
Depois de ouvir a jovem, o Mestre Huang pegou num ramalhete de ervas medicinais e disse-lhe:
- “Para te livrares da tua sogra, não as deves usar de uma só vez, pois isso poderia causar suspeitas. Vais misturá-las com a comida, pouco a pouco, dia após dia, e assim ela vai-se envenenando lentamente. Mas, para teres a certeza de que, quando ela morrer, ninguém suspeitará de ti, deverás ter muito cuidado em tratá-la sempre com muita amizade. Não discutas e ajuda-a a resolver os seus problemas”.
Lin respondeu: Obrigado, Mestre Huang, farei tudo o que me recomenda”. Lin ficou muito contente e voltou entusiasmada com o projeto de assassinar a sogra. Durante várias semanas Lin serviu, dia sim, dia não, uma refeição preparada especialmente para a sogra.
E tinha sempre presente a recomendação de Mestre Huang para evitar suspeitas: controlava o temperamento, obedecia à sogra em tudo e tratava-a como se fosse a sua própria mãe.
Passados seis meses, toda a família estava mudada. Lin controlava bem o seu temperamento e quase nunca se aborrecia. Durantes estes meses, não teve uma única discussão com a sogra, que também se mostrava muito mais amável e mais fácil de tratar com ela.
As atitudes da sogra também mudaram e ambas passaram a tratar-se como mãe e filha. Certo dia, Lin foi procurar o Mestre Huang, para lhe pedir ajuda e disse-lhe: “Mestre, por favor, ajude-me a evitar que o veneno venha a matar a minha sogra. É que ela transformou-se numa mulher agradável e gosto dela como se fosse a minha mãe. Não quero que ela morra por causa do veneno que lhe dou.”
Mestre Huang sorriu e abanou a cabeça: “Lin, não te preocupes. A tua sogra não mudou. Quem mudou foste tu. As ervas que te dei são vitaminas para melhorar a saúde. O veneno estava nas tuas atitudes, mas foi sendo substituído pelo amor e carinho que lhe começaste a dedicar”.
Na China, há um provérbio que diz: “A pessoa que ama os outros também será amada”. E os árabes têm outro provérbio: “O nosso inimigo não é aquele que nos odeia, mas aquele que nós odiamos”.
As pessoas que mais nos dão dor de cabeça hoje poderão vir a ser as que mais nos darão alegrias no futuro. Invista nelas...cative-as, ouça-as, cruze seu mundo com o mundo delas. Plante sementes. Não espere o resultado imediato...colha com paciência.
Esse é o único investimento que jamais se perde. Se as pessoas não ganharem, você, pelo menos, ganhará: Paz interior, experiência e consciência de que fez o melhor.
Com o passar dos meses, as coisas foram piorando, a ponto de a vida se tornar insuportável. No entanto, segundo as tradições antigas da China, a nora tem que estar sempre a serviço da sogra e obedecer-lhe em tudo. Mas Lin, não suportando por mais tempo a idéia de viver com a sogra, tomou a decisão de ir consultar um Mestre, velho amigo do seu pai.
Depois de ouvir a jovem, o Mestre Huang pegou num ramalhete de ervas medicinais e disse-lhe:
- “Para te livrares da tua sogra, não as deves usar de uma só vez, pois isso poderia causar suspeitas. Vais misturá-las com a comida, pouco a pouco, dia após dia, e assim ela vai-se envenenando lentamente. Mas, para teres a certeza de que, quando ela morrer, ninguém suspeitará de ti, deverás ter muito cuidado em tratá-la sempre com muita amizade. Não discutas e ajuda-a a resolver os seus problemas”.
Lin respondeu: Obrigado, Mestre Huang, farei tudo o que me recomenda”. Lin ficou muito contente e voltou entusiasmada com o projeto de assassinar a sogra. Durante várias semanas Lin serviu, dia sim, dia não, uma refeição preparada especialmente para a sogra.
E tinha sempre presente a recomendação de Mestre Huang para evitar suspeitas: controlava o temperamento, obedecia à sogra em tudo e tratava-a como se fosse a sua própria mãe.
Passados seis meses, toda a família estava mudada. Lin controlava bem o seu temperamento e quase nunca se aborrecia. Durantes estes meses, não teve uma única discussão com a sogra, que também se mostrava muito mais amável e mais fácil de tratar com ela.
As atitudes da sogra também mudaram e ambas passaram a tratar-se como mãe e filha. Certo dia, Lin foi procurar o Mestre Huang, para lhe pedir ajuda e disse-lhe: “Mestre, por favor, ajude-me a evitar que o veneno venha a matar a minha sogra. É que ela transformou-se numa mulher agradável e gosto dela como se fosse a minha mãe. Não quero que ela morra por causa do veneno que lhe dou.”
Mestre Huang sorriu e abanou a cabeça: “Lin, não te preocupes. A tua sogra não mudou. Quem mudou foste tu. As ervas que te dei são vitaminas para melhorar a saúde. O veneno estava nas tuas atitudes, mas foi sendo substituído pelo amor e carinho que lhe começaste a dedicar”.
Na China, há um provérbio que diz: “A pessoa que ama os outros também será amada”. E os árabes têm outro provérbio: “O nosso inimigo não é aquele que nos odeia, mas aquele que nós odiamos”.
As pessoas que mais nos dão dor de cabeça hoje poderão vir a ser as que mais nos darão alegrias no futuro. Invista nelas...cative-as, ouça-as, cruze seu mundo com o mundo delas. Plante sementes. Não espere o resultado imediato...colha com paciência.
Esse é o único investimento que jamais se perde. Se as pessoas não ganharem, você, pelo menos, ganhará: Paz interior, experiência e consciência de que fez o melhor.
Dê sempre o melhor, e o melhor virá!
Às vezes as pessoas são egocêntricas, ilógicas e insensatas.
Perdoe-as assim mesmo!
Se você é gentil, as pessoas podem acusá-lo de egoísta e interesseiro.
Seja gentil assim mesmo!
Se você é um vencedor, terá alguns falsos amigos e alguns inimigos verdadeiros.
Vença assim mesmo!
Se você é honesto e franco, as pessoas podem enganá-lo.
Seja honesto e franco assim mesmo!
O que você levou anos para construir, alguém pode destruir de uma hora para outra.
Construa assim mesmo!
Se você tem paz e é feliz, as pessoas podem sentir inveja.
Tenha paz e seja feliz assim mesmo!
O bem que você faz hoje, pode ser esquecido amanhã.
Faça o bem assim mesmo!
Dê ao mundo o melhor de você, mas isso pode nunca ser o bastante.
Dê o melhor de você assim mesmo!
E veja você que, no final das contas, é entre você e Deus.
Nunca foi entre você e eles!
Perdoe-as assim mesmo!
Se você é gentil, as pessoas podem acusá-lo de egoísta e interesseiro.
Seja gentil assim mesmo!
Se você é um vencedor, terá alguns falsos amigos e alguns inimigos verdadeiros.
Vença assim mesmo!
Se você é honesto e franco, as pessoas podem enganá-lo.
Seja honesto e franco assim mesmo!
O que você levou anos para construir, alguém pode destruir de uma hora para outra.
Construa assim mesmo!
Se você tem paz e é feliz, as pessoas podem sentir inveja.
Tenha paz e seja feliz assim mesmo!
O bem que você faz hoje, pode ser esquecido amanhã.
Faça o bem assim mesmo!
Dê ao mundo o melhor de você, mas isso pode nunca ser o bastante.
Dê o melhor de você assim mesmo!
E veja você que, no final das contas, é entre você e Deus.
Nunca foi entre você e eles!
REGINA BRETT, 90 ANOS, CLEVELAND, OHIO
"Para celebrar o envelhecer, uma vez eu escrevi 45 lições que a vida me ensinou. É a coluna mais requisitada que eu já escrevi. Meu taxímetro chegou aos 90 em agosto, então, aqui está a coluna, mais uma vez:
1. A vida não é justa, mas ainda assim é boa.
2. Quando estiver em dúvida, apenas dê o próximo pequeno passo.
3. A vida é muito curta para perdermos tempo odiando alguém.
4. Seu trabalho não vai cuidar de você quando você adoecer. Seus amigos e seus pais vão. Mantenha contato.
5. Pague suas faturas de cartão de crédito todo mês.
6. Você não tem que vencer todo argumento. Concorde para discordar.
7. Chore com alguém. É mais curador do que chorar sozinho.
8. Está tudo bem em ficar bravo com Deus. Ele agüenta.
9. Poupe para a aposentadoria, começando com seu primeiro salário.
10. Quando trata-se de chocolate, resistência é em vão.
11. Sele a paz com seu passado, para que ele não estrague seu presente.
12. Está tudo bem em seus filhos te verem chorar.
13. Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem idéia do que se trata a jornada deles.
14. Se um relacionamento tem que ser um segredo, você não deveria estar nele.
15 Tudo pode mudar num piscar de olhos; mas não se preocupe, Deus nunca pisca.
16. Respire bem fundo. Isso acalma a mente.
17. Se desfaça de tudo que não é útil, bonito e prazeroso.
18. O que não te mata, realmente te torna mais forte.
19. Nunca é tarde demais para se ter uma infância feliz. Mas a segunda só depende de você e mais ninguém.
20. Quando se trata de ir atrás do que você ama na vida, não aceite "não" como resposta.
21. Acenda velas, coloque os lençóis bonitos, use a lingerie elegante. Não guarde para uma ocasião especial. Hoje é especial.
22. Prepare-se bastante; depois, deixe-se levar pela maré...
23. Seja excêntrico agora, não espere ficar velho para usar roxo.
24. O órgão sexual mais importante é o cérebro.
25. Ninguém é responsável pela sua felicidade, além de você.
26. Encare cada suposto desastre com essas palavras: “Em cinco anos, vai importar?”
27. Sempre escolha a vida.
28. Perdoe tudo de todos.
29. O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta.
30. O tempo cura quase tudo. Dê tempo.
31. Indepedentemente de a situação ser boa ou ruim, irá mudar.
32. Não se leve tão a sério. Ninguém mais leva...
33. Acredite em milagres.
34. Deus te ama por causa de quem Ele é, não pelo que você fez ou deixou de fazer.
35. Não faça auditoria de sua vida. Apareça e faça o melhor dela agora.
36. Envelhecer é melhor do que morrer jovem.
37. Seus filhos só têm uma infância.
38. Tudo o que realmente importa, no final, é que você amou.
39. Vá para a rua todo dia. Milagres estão esperando em todos os lugares.
40. Se todos jogássemos nossos problemas em uma pilha e víssemos os de todo mundo, pegaríamos os nossos de volta.
41. Inveja é perda de tempo. Você já tem tudo o que precisa.
42. O melhor está por vir.
43. Não importa como você se sinta, levante, se vista e apareça.
44. Produza.
45. A vida não vem embrulhada em um laço, mas ainda é um presente. "
1. A vida não é justa, mas ainda assim é boa.
2. Quando estiver em dúvida, apenas dê o próximo pequeno passo.
3. A vida é muito curta para perdermos tempo odiando alguém.
4. Seu trabalho não vai cuidar de você quando você adoecer. Seus amigos e seus pais vão. Mantenha contato.
5. Pague suas faturas de cartão de crédito todo mês.
6. Você não tem que vencer todo argumento. Concorde para discordar.
7. Chore com alguém. É mais curador do que chorar sozinho.
8. Está tudo bem em ficar bravo com Deus. Ele agüenta.
9. Poupe para a aposentadoria, começando com seu primeiro salário.
10. Quando trata-se de chocolate, resistência é em vão.
11. Sele a paz com seu passado, para que ele não estrague seu presente.
12. Está tudo bem em seus filhos te verem chorar.
13. Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem idéia do que se trata a jornada deles.
14. Se um relacionamento tem que ser um segredo, você não deveria estar nele.
15 Tudo pode mudar num piscar de olhos; mas não se preocupe, Deus nunca pisca.
16. Respire bem fundo. Isso acalma a mente.
17. Se desfaça de tudo que não é útil, bonito e prazeroso.
18. O que não te mata, realmente te torna mais forte.
19. Nunca é tarde demais para se ter uma infância feliz. Mas a segunda só depende de você e mais ninguém.
20. Quando se trata de ir atrás do que você ama na vida, não aceite "não" como resposta.
21. Acenda velas, coloque os lençóis bonitos, use a lingerie elegante. Não guarde para uma ocasião especial. Hoje é especial.
22. Prepare-se bastante; depois, deixe-se levar pela maré...
23. Seja excêntrico agora, não espere ficar velho para usar roxo.
24. O órgão sexual mais importante é o cérebro.
25. Ninguém é responsável pela sua felicidade, além de você.
26. Encare cada suposto desastre com essas palavras: “Em cinco anos, vai importar?”
27. Sempre escolha a vida.
28. Perdoe tudo de todos.
29. O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta.
30. O tempo cura quase tudo. Dê tempo.
31. Indepedentemente de a situação ser boa ou ruim, irá mudar.
32. Não se leve tão a sério. Ninguém mais leva...
33. Acredite em milagres.
34. Deus te ama por causa de quem Ele é, não pelo que você fez ou deixou de fazer.
35. Não faça auditoria de sua vida. Apareça e faça o melhor dela agora.
36. Envelhecer é melhor do que morrer jovem.
37. Seus filhos só têm uma infância.
38. Tudo o que realmente importa, no final, é que você amou.
39. Vá para a rua todo dia. Milagres estão esperando em todos os lugares.
40. Se todos jogássemos nossos problemas em uma pilha e víssemos os de todo mundo, pegaríamos os nossos de volta.
41. Inveja é perda de tempo. Você já tem tudo o que precisa.
42. O melhor está por vir.
43. Não importa como você se sinta, levante, se vista e apareça.
44. Produza.
45. A vida não vem embrulhada em um laço, mas ainda é um presente. "
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